No YouTube

terça-feira, 3 de maio de 2016

Resenha: Willie Nelson - Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin


Veterano cantor não cansa de trabalhar

Willie Nelson não cansa de surpreender o público. Primeiro, ao homenagear Django Reinhardt e Jimmie Rodgers ao lado de Merle Haggard (1937 - 2016) ano passado. Dois anos antes, havia disponibilizado Band of Brothers, último disco com canções inéditas. Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin é uma nova homenagem, agora aos irmãos George (1898 – 1937) e Ira Gershwin (1896 – 1983), que fizeram história na música popular nos Estados Unidos entre os anos 1910 e 1930.

"But Not for Me" abre o disco de maneira sensível e sincera. Retirada do musical Girl Crazy (1930), a canção ganhou um ar country folk absurdo por parte de Willie Nelson, que tem a capacidade dar seu toque pessoal em qualquer composição - de Gershwin até Coldplay. Toda no piano, "Somebody Loves Me" é o típico sucesso nas rádios americanas no início do século 20. Com o instrumental e letra de fáceis assimilação por parte do público, não é difícil entender o sucesso que foi.

Nascida como um jazz, "Someone to Watch Over Me" virou uma balada por sugestão de Ira Gershwin. E é até ofensivo ver como duas pessoas conseguem pegar palavras simples e de fácil compreensão e transformá-las em algo com potencial melódico incrível, além de tocar o coração. Como diria o outro, não vale escrever difícil se não entendem o que você diz. Simplificar é sempre melhor.

Fred Astaire e Ginger Rogers cantaram "Let's Call the Whole Thing Off" no filme Vamos Dançar (1937), explorando a letra dos irmãos Gershwin, que conseguiu transmitir todo tipo de sotaque espalhado pelos Estados Unidos. Aqui, Nelson conta com a ótima participação especial de Cyndi Lauper para fazer o contraponto – ficou uma versão ótima. "It Ain't Necessarily So" fala sobre um traficante de drogas que coloca em xeque algumas partes da Bíblia, e os irmãos fizeram isso de maneira brilhante ao explorar o jazz como base da melodia.

A animação retorna em "I Got Rhythm", um jazz bebop antes mesmo do estilo ser criado. Um standard de alto nível de uma beleza musical difícil de ser copiada por ser algo muito particular. A próxima, "Love is Here to Stay", foi lançada depois da morte de George Gershwin e virou uma balada bem tocante, com um tremendo ar country neste álbum.

"They All Laughed" é cheia de referências ao que acontecia nos Estados Unidos nos anos 1930, representando bem uma época e um país, e aqui foi transformada inteiramente para Willie Nelson dar seu toque pessoal. E é incrível como o vocal de contraponto faz toda diferença nas canções dos irmãos Gershwin, como em "Embraceable You" em que Sheryl Crow (aquela) aparece e consegue colocar um estilo bem delicado e profundo na canção.

Concorrente ao Oscar de Melhor Canção Original por Vamos Dançar, "They Can't Take That Away from Me" virou uma balada acústica com auxilio do órgão e do piano – o resultado é tão sincero que poderia jurar que Willie Nelson escreveu letra e melodia. A mais profunda e melancólica ficou para o encerramento: a ópera "Summertime" é curta, mas é um soco no estômago de tão linda. Bate forte no corpo e na mente.

Só tenho uma coisa a acrescentar: escutem esse disco, pode mudar a vida de vocês para sempre.

Tracklist:

1 - "But Not for Me"
2 - "Somebody Loves Me"
3 - "Someone to Watch Over Me"
4 - "Let's Call the Whole Thing Off" (featuring Cyndi Lauper)
5 - "It Ain't Necessarily So"
6 - "I Got Rhythm"
7 - "Love is Here to Stay"
8 - "They All Laughed"
9 - "Embraceable You" (featuring Sheryl Crow)
10 - "They Can't Take That Away from Me"
11 - "Summertime"

Nota: 4,5/5



Veja também:
Resenha: Explosions in the Sky – The Wilderness
Resenha: Anthony Hamilton - What I'm Feelin'
Resenha: Parquet Courts – Human Performance Resenha: Kaada/Patton – Bacteria Cult
Resenha: PJ Harvey – The Hope Six Demolition Project
Resenha: Anoushka Shankar – Land Of Gold
Resenha: Mike and The Melvins – Three Men and A Baby


Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.

Siga o autor no Twitter