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terça-feira, 9 de junho de 2015

Resenha: Willie Nelson e Merle Haggard – Django And Jimmie


Uma das coisas impossíveis no mundo musical é não gostar de Willie Nelson. Há quase 60 anos na estrada, o cantor country viu muita gente passar por seu meio, perdeu vários amigos, mas ainda segue aí fazendo o que mais ama: tocar e aquecer o coração de milhões de pessoas com suas histórias e seu violão inseparável.

E a produção de Nelson não para. Depois de lançar um ótimo disco ano passado, ele uniu-se com Merle Haggard para Django And Jimmie, sexto álbum que eles lançam como dupla, uma homenagem a Django Reinhardt, um dos mais importantes músicos europeus entre os anos 1930 e 1950, e Jimmie Rodgers, pioneiro na música country americana e primeiro grande astro do rádio.

A faixa-título é um típico country cantado por Willie Nelson desde sempre. Sem frescura, a canção tem o vocal dividido e consegue balancear bem as duas vozes diferentes, mas que se complementam absurdamente bem. Logo depois, vem "It's All Going to Pot", que fala abertamente sobre plantação e consumo de maconha, plataforma defendida ferrenhamente pelos dois. Coautor da letra, o guitarrista e cantor Jamey Johnson faz uma participação especial.

Desde o trabalho anterior, Nelson vem trabalhando com letras e melodias mais tristes, e isso aparece em "Unfair Weather Friend" – o solo de gaita aliado com outro de guitarra na sequência é para encher os olhos de lágrimas. Outro da velha guarda é Merle Haggard, compositor de "Missing Ol' Johnny Cash", uma homenagem a um dos melhores cantores da música americana de todos os tempos. E a levada mais para cima dá um tom animado à faixa, que conta com a participação do cantor Bobby Bare.

O lado folk da dupla aparece na linda "Live This Long", uma letra falando sobre o tempo, a vida, as pessoas, momentos... Enfim, outro emocionante momento no álbum. Primeira letra da nova empreitada da dupla, que chegou a compor por telefone ao longo dos 18 meses de produção do álbum, "Alice in Hulaland" é a história de uma fã “que ama os meninos da banda”; e "Don't Think Twice, It's Alright" é um cover do clássico de Bob Dylan em uma releitura country – muito boa, diga-se.

Primeiro sucesso de Nelson, lançado em 1960, "Family Bible" ganhou uma regravação cheia de classe e ainda mais gospel, já "It's Only Money" é a história da mulher que engana o cara em busca apenas do dinheiro dele em um country para fazer qualquer um dançar. Para completar a trinca, "Swinging Doors", sobre um cara que fica tanto em um bar que o considera como sua própria casa, poderia ter sido gravada nos anos 1950 tranquilamente.

Caso você não esteja passando por um bom momento em sua vida, não recomendo ouvir "Where Dreams Come to Die" porque é uma canção muito triste (This is where dreams come to die/ This is where dreams come to die/ Then they fly back to heaven/ But this is where dreams come to die) e, mais uma vez, os olhos enchem de lágrimas. Outra pedrada, embalada pela melodia da guitarra chorando, é a romântica "Somewhere Between".

Para finalizar o disco, os dois usam de metáforas para falar de seus momentos no palco ("Driving the Herd") e um country gospel com ar folk ("The Only Man Wilder Than Me") para contar mais uma história típica de quem cresceu nos anos 1940 e 1950. É um disco de country em sua essência, sem tirar, nem pôr nada. É muito bom ver os dois ainda em atividade e lançando coisas inéditas e regravando canções que desejam regravar. Um disco para ficar na memória, sem dúvida.

Tracklist:

1 - "Django and Jimmie"
2 - "It's All Going to Pot" (featuring Jamey Johnson)
3 - "Unfair Weather Friend"
4 - "Missing Ol' Johnny Cash" (featuring Bobby Bare)
5 - "Live This Long"
6 - "Alice in Hulaland"
7 - "Don't Think Twice, It's Alright"
8 - "Family Bible"
9 - "It's Only Money"
10 - "Swinging Doors"
11 - "Where Dreams Come to Die"
12 - "Somewhere Between"
13 - "Driving the Herd"
14 - "The Only Man Wilder Than Me"

Nota: 4/5


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