Resenha: Alta Fidelidade, de Sarah Kucserka e Veronica West


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Adaptar um livro para um formato audiovisual demanda muito trabalho dos roteiristas e diretores que, invariavelmente, serão criticados por fãs por cortar isso, aquilo ou aquilo outro. Mas adaptar para série um filme de sucesso que já era uma adaptação de um livro parece ser uma tarefa ainda mais ingrata. Ainda bem que a série derivada de "Alta Fidelidade" não decepciona.

Recentemente, revi a adaptação de "Alta Fidelidade" para o cinema e estava receoso sobre como seria o seriado e como fariam para modernizar a história a ponto de deixá-la atrativa para uma nova geração de pessoas e para os fãs do filme e do livro. Muita coisa poderia dar errado. Que bom que não deu.

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Claro que a famosa lista de piores términos é o ponto central da série. A partir disso, Rob Brooks segue uma jornada de reflexão sobre a própria vida, amores e dessabores. Escalada para interpretar Rob, Zöe Kravitz entrega uma personagem intensa para falar de música, insegura para viver a própria vida e cheia de enormes qualidades e defeitos que a levam a fazer besteiras que machucam os outros e a ela mesma ao longo de dez episódios.

Assim como Rob Gordon no filme, é muito difícil não se identificar com Rob na série. Quem não bebeu e fez alguma cagada histórica que nem outro porre consegue fazer esquecer? Ou quem se decepcionou tanto com alguém ao ponto de querer arrancar o próprio coração? Por ser mais longa, a Rob de Zöe Kravitz usa tudo isso para dialogar com quem está assistindo, transformando essa relação em algo ainda mais profundo do que no filme. Tudo isso pontuado por um elenco de apoio de primeira, que ganha um representante de peso no oitavo episódio. Afinal, não é apenas Rob quem sofre.

O final aberto, pronto para uma segunda temporada, é uma injustiça para fãs e quem gostou da série. Após terminar de ver, me juntei imediatamente ao coro dos órfãos de "Alta Fidelidade". Há espaço para mais uma temporada, pelo menos. Agora é ficar na torcida para a Disney atender aos fãs e dar a Rob um final — feliz ou não.

Avaliação: ótimo

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