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quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Resenha: Nixon e o Homem de Preto, de Sara Dosa e Barbara Kopple


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A política sempre quer usar a influência de nomes conhecidos para dar legitimidade àquilo que deseja fazer, seja bom ou ruim. Agora, imagine isso no final dos anos 1960, nos Estados Unidos, quando a Guerra do Vietnã dividia o país entre as pessoas que eram contra e quem era a favor. Um recém-chegado à presidência Richard Nixon precisava de apoio. E quem ele procurou? Johnny Cash.

Dirigido por Sara Dosa e Barbara Kopple, o documentário "Nixon e o Homem de Preto" consegue, em pouco menos de uma hora, contextualizar a época, a história de vida de cada um e como eles chegaram ao momento decisivo, quando Cash aceitou fazer um show na Casa Branca para centenas de pessoas.

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Cash é mostrado como um homem de duas facetas: o rebelde cantor e o patriota que apoia o presidente — qualquer um, diga-se. Nixon é, como sabemos, um homem ambicioso que almeja sempre o poder e não se importa muito em usar todos os meios possíveis para conseguir isso — o final disso todo mundo sabe.

A dupla de diretoras conta com entrevistas de ativistas contra a Guerra do Vietnã, familiares de Cash e pessoas próximas a Nixon. Tudo para ajudar a traçar os dois perfis. O cantor, nascido no Sul dos Estados Unidos, não tinha o perfil de um Republicano daquele lugar ao apoiar pautas como o fim da Guerra do Vietnã e as reservas indígenas. O então presidente queria mostrar força e escolheu o único homem capaz de dialogar com Nova York e o interior do Arkansas.

Não quero estragar a surpresa dos minutos finais do documentário, mas ver Cash usar a música para confrontar o então presidente na frente de todo mundo é dessas coisas que não tem preço. Pouco tempo depois, o presidente descumpriu a promessa de deixar o Vietnã e escalonou ainda mais a guerra ao invadir o Camboja. O cantor mais uma vez usou a música para protestar, agora no programa que apresentava, o "Johnny Cash Show".

"Nixon e o Homem de Preto" é um grande exemplo de como não existe momento certo para protestar contra alguém, muito menos quando a mentira está bem na nossa cara. Serve para ontem, serve para hoje: afinal, qual é a verdade?

Avaliação: ótimo

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