segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Resenha: Massacre no Estádio - A História de Víctor Jara, de Bent-Jorgen Perlmutt


Víctor Jara foi um dos artistas mais importantes da América Latina por conseguir cantar sobre a vida e os problemas do povo com bastante propriedade. Mas ele acabou sendo uma das vítimas no que ficou conhecido como o Massacre no Estádio, quando, segundo estimativas, mais de 400 pessoas morreram e outras tantas foram torturadas pela Junta Militar, liderada por Augusto Pinochet, que instaurou uma ditadura de 17 anos de duração.

Parte da série Remastered da Netflix, o longa "Massacre no Estádio - A História de Víctor Jara" conta a história do músico e, no tempo presente, a busca por justiça da viúva do cantor, Joan. Com depoimentos de amigos, pessoas torturadas pela ditadura, ex-soldados, ex-tenentes e amigos de Jara, é possível compreender um pouco a incrível história de alguém que usava o talento na música para alertar as pessoas sobre a pobreza no Chile e acabou sofrendo as consequências quando a maré virou.

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A eleição do marxista Salvador Allende veio como um sopro de esperança no Chile, um país pequeno, pobre e, então, com poucos recursos. Muitos viram ali a chance de ter uma oportunidade de uma vida digna. E o cantor era o símbolo disso, refletido no sucesso de canções como "El derecho de vivir en paz", "Plegaria a un labrador" e outros. Ele era o símbolo do futuro que os chilenos escolheram.

O diretor Bent-Jorgen Perlmutt consegue costurar essa história com imagens de arquivo de apresentações e muitas fotos, todas exaltando o sucesso de Jara e o amor pela família. E ele é muito habilidoso em inserir o contexto da ditadura por vários lados: de quem sofreu as consequências do 11 de setembro de 1973, de quem apenas obedeceu ordens e de quem efetivamente participou do golpe — alô, CIA.

Tudo isso é emociona e indigna ao mesmo tempo, mas é quando surge Joan, uma senhora de 90 anos, é para fazer chorar qualquer um. E disso o longa parte para uma busca por justiça, para saber quem mandou matar e como Jara morreu. É uma busca com mais de quatro décadas de atuação em diversos lugares e instâncias. Sabia-se da tortura e do estado em que o corpo foi encontrado, mas não os mandantes. Vale a pena assistir para ver o resultado do julgamento de um dos acusados.

"Massacre no Estádio - A História de Víctor Jara" é um importante documento de um símbolo de um período terrível da América Latina com consequências até hoje, muitas delas não resolvidas. Entre tudo, uma frase me chamou muito atenção e serve para ficar sempre alerta em 2021: em 10 de setembro de 1973, o Chile viveu um dia estreitamente normal.

Avaliação: muito bom

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