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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Resenha: Napalm Death - Throes of Joy in the Jaws of Defeatism


Desde "Apex Predator – Easy Meat" (2015) que o Napalm Death não lançava um álbum só com músicas inéditas. Pois a espera acabou quando, em julho, a banda anunciou o novo trabalho. "Throes of Joy in the Jaws of Defeatism", um nome complicadíssimo para decorar, é o retorno de um grupo surgido no final dos anos 1980 que nunca abriu mão do que desejava para si -- seja lá o que isso significa nos termos do Napalm Death.

O trabalho anterior será lembrado facilmente como um dos melhores da carreira, certo? Sim, mas não só isso. Também é intenso como o exige o melhor do death metal e incorpora outras ideias, formando algo único e esplendoroso em um dos melhores álbuns dos anos 2000. Difícil não ficar com uma expectativa muito alta com relação ao novo álbum.

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"Fuck the Factoid" abre "Throes..." com tudo não apenas com o peso de tudo em volume máximo, mas também para atacar a atual estrutura de mundo em que mentiras correm rápido demais a ponto de virarem verdades absolutas em poucas horas, e como isso é participante fundamental de uma falta de humanidade nunca antes vista no mundo. Começar assim já mostra como será o resto, vai por mim.

O Napalm Death passa por diversos assuntos (discutir hábitos culturais, luta por melhores condições de vida e dignidade, raiva acumulada, comercio internacional de armas, tentar viver uma vida melhor) e por diversas fases da carreira e, claro, inclui novidades ("Backlash Just Because" lembra o início; "Contagion" e "Invigorating Clutch" são bem diferentes de qualquer coisa feita).

Para quem conhece um pouco mais a fundo, a influência de Killing Joke é muito visível em vários momentos, principalmente em canções em que, musicalmente, a banda opta por explorar outros caminhos -- fica bem mais claro em "Amoral". E na faixa-título, escolhida propositalmente para ser o nome do trabalho por ser a mais estranha, segundo o vocalista Barney Greenway, é uma doideira sem tamanho como há muito eles não faziam. E é veloz. Muito veloz. E o encerramento com "A Bellyful of Salt and Spleen" é uma paulada, sonora e verbal, sobre a péssima situação dos imigrantes no mundo.

Eram cinco anos sem um disco novo e o Napalm Death não decepcionou em nada nesse retorno. O nome complicado não será um empecilho para ouvir um dos melhores álbuns do ano, que usa peso e força para discutir alguns dos assuntos mais importante da sociedade atual em todos os países. Mais um golaço deles.

Tracklist:

1 - "Fuck the Factoid"
2 - "Backlash Just Because"
3 - "That Curse of Being in Thrall"
4 - "Contagion"
5 - "Joie de Ne Pas Vivre"
6 - "Invigorating Clutch"
7 - "Zero Gravitas Chamber"
8 - "Fluxing of the Muscle"
9 - "Amoral"
10 - "Throes of Joy in the Jaws of Defeatism"
11 - "Acting in Gouged Faith"
12 - "A Bellyful of Salt and Spleen"

Avaliação: ótimo




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