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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Resenha: Fontaines D.C. - A Hero's Death


A Irlanda tem uma tradição das mais interessantes quando o assunto é punk e pós-punk. De bandas menos famosas até o U2, a pequena ilha que divide espaço com os vizinhos norte-irlandeses consegue se autossustentar com suas bandas locais -- também ajuda muito o fato de o Reino Unido ser, literalmente, logo ali. Uma dessas bandas novas é o Fontaines D.C., formada por Carlos O'Connell (guitarra), Conor Curley (guitarra), Conor Deegan III (baixo), Grian Chatten (vocal) e Tom Coll (bateria e percussão). Em 2019, o primeiro álbum de estúdio foi eleito o melhor do ano pela BBC Radio 6.

Para aproveitar o embalo do crescimento, a banda disponibilizou o segundo álbum da carreira, chamado "A Hero's Death". Esse, aliás, é um movimento bastante comum no Reino Unido e na Irlanda de maneira geral, uma forma de não deixar a coisa esfriar e aumentar o repertório dos shows (quando tinha) à medida que mais gente vai ouvindo, gostando e ficando curiosa para saber o comportamento ao vivo das músicas.

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É inegável que o pós-punk não é apenas uma inspiração, mas toda uma formatação musical do Fontaines D.C. O início com "I Don't Belong" e "Love is the Main Thing" mostra como bem isso, principalmente com o vocal mais falado do que cantado -- algo bem ao estilo Joy Division. A primeira das duas grandes canções vem logo após o início, quando "Televised Mind" surge como uma versão um tanto mais fresca do gênero. Uma boa novidade.

Uma boa para prestar atenção na audição é como o disco segue uma linha lógica e não se perde em nenhum momento. "A Lucid Dream" e "You Said" conseguem segurar muito bem a força das quatro primeiras canções do álbum, quando vem a faixa-título com seu agito nos arranjos e letra melancólica, uma síntese do meme Chico Buarque feliz / Chico Buarque triste. E logo depois ainda vem "Living in America", outro petardo absurdo.

Esse segundo álbum do Fontaines D.C. caminha fácil para ser um dos melhores deste ano. Coeso do início ao fim, a banda mostra como é possível ainda soar original dentro de um subgênero que muita gente só gosta do material lançado nos anos 1980. É o tipo de disco que vai agradar muito quem der uma chance.

Tracklist:

1 - "I Don't Belong"
2 - "Love is the Main Thing"
3 - "Televised Mind"
4 - "A Lucid Dream"
5 - "You Said"
6 - "Oh Such a Spring"
7 - "A Hero's Death"
8 - "Living in America"
9 - "I Was Not Born"
10 - "Sunny"
11 - "No"

Avaliação: ótimo



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