sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Discos para história: Led Zeppelin IV, do Led Zeppelin (1971)


Na 19ª edição do Discos para história o álbum que definiu de uma vez o som do Led Zeppelin: Led Zeppelin IV colocou a banda formada por Jimmy Page, John Paul Jones, John ‘Bonzo’ Bonham e Robert Plant no topo do mundo.

História do disco

O crescimento do Led Zeppelin no cenário da música foi gradual. Desde o encerramento do Yardbirds, primeiro grupo da carreira de Jimmy Page, até a gravação de Led Zeppelin IV, muita coisa aconteceu. Mas isso foi cuidadosamente planejado por Page e o empresário Peter Grant, homem que perdia as estribeiras facilmente, mas era um gênio dos negócios e sempre defendia os interesses dos quatro.

Com três discos gravados, a banda, que também contava com John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant, estava indo muito bem. Ricos, famosos e prestigiados, o momento desses quatro músicos era mágico. Não só pelo sucesso dos LPs, mas pelo tipo de música que faziam, misturando um pouco de cada coisa – um pouco de blues, um pouco de psicodelia, um pouco de heavy metal.


Mesmo com tudo isso, o Led Zeppelin, na figura de Page, era inquieto e sempre queria mais. Jimmy era músico de estúdio antes de escolher a dedo quem integraria seu projeto mais ambicioso – isso mesmo, o Zeppelin é um projeto do guitarrista, tanto é que ele cuidou pessoalmente da produção de todos os álbuns, e cuida até hoje de todo e qualquer tipo de relançamento oficial.

Depois de outra extensa turnê mundial, em que quartos de hotéis foram quebrados, drogas e álcool foram consumidos em quantidades industriais e ingressos esgotados, Page sinalizou a intenção de gravar um novo trabalho, o quarto em três anos. Com boa parte do material bem encaminhado, não foi difícil reunir todos no estúdio da Island Records para gravar novo material. Após uma folga, as primeiras seções renderam algumas canções, entre elas “No Quarter”, que acabou não sendo incluída na tracklist final.

Influenciados pelos músicos do Fleetwood Mac, o Led Zeppelin alugou um antigo castelo na região de Headley Grand, lugar frio e úmido, e interessante para quem desejava contrair pneumonia. Page pouco se importava se ficaria doente, o grande interesse dele estava no som que o lugar produzia – o som pesado feito por Bonzo na bateria foi muito beneficiado pelo local. Uma semana depois da chegada dos quatro, o tecladista Ian Stewart levou o estúdio móvel usado pelos Rolling Stones. Era o que faltava para o início das gravações.

Depois de muito tempo, existia clima de cumplicidade, pois todos tinham que se ajudar durante as gravações, fundamental para o bom andamento dos trabalhos. Foi dessa relação, por exemplo, que “Rock and Roll” saiu após uma improvisação de Bonham na bateria; Page entrou com o riff e pronto, era só escrever a letra.

Em fevereiro de 1971, depois de finalizado o processo de gravação, Page, Peter Grant e Andy Johns foram até Los Angeles para a pós-produção, mas apareceram os primeiros problemas. Afetado por um terremoto, o estúdio de confiança deles estava completamente modificado. Com tudo diferente, o resultado não foi esperado, e todos ficaram furiosos. Com turnê agendada, esse trabalho acabou sendo feito entre um show e outro – com Page fazendo isso pessoalmente.

Apenas seis meses depois da gravação é que as masters foram entregues à gravadora para os últimos retoques. Isso pronto, ainda faltava o toque final: a capa. Depois de capas chamativas, e que hoje são históricas, havia certa indecisão sobre o que usar para ilustrar a cara do LP.

Para fazer birra com a imprensa e as pessoas que odiavam o grupo, simplesmente optaram por não colocar nada – nada mesmo. Nenhuma referência, nome ou qualquer coisa que ligasse o disco ao grupo. Por dedução dos fãs, dado o histórico anterior, o trabalho foi chamado de Led Zeppelin IV. A única coisa que lembrava o Led Zeppelin, particularmente Jimmy Page, era a palavra ‘ZoSo’. Page afirma que o símbolo significa “ser invocado e invocar”, mas existem outros significados – todos com ligação ao ocultismo, ciência apreciada pelo guitarrista. Ele não toca muito no assunto, e isso é o máximo que se sabe. No espírito da coisa, Plant, Jones e Bonzo também escolheram seus símbolos e também criaram uma marca, mas não tão forte como a de Page.

A capa é um desenho de um tal Barrington Coleby, apresentado como amigo de Jimmy – na verdade, a obra saiu dos punhos do guitarrista, também ótimo desenhista. De nome View in Half Varying Light, a ilustração é baseada na figura do Eremita do tarô. Segundo a teoria levantada pelo jornalista Mick Wall, tudo no LP dá a entender que o ocultismo de Aleister Crowley é o que deve ser seguido, de acordo com os pensamentos de Page. Como não era uma coisa bem vista, ele espalhou pistas por todo conceito do álbum.

Por conta do interesse de Jimmy Page no ocultismo, todas as músicas do Led Zeppelin eram ligadas ao estudo dessa ciência. Ele nunca negou o interesse nos ensinamentos de Aleister Crowley, tampouco escondeu que sempre procurou entender e estudar muito sobre o assunto. Por isso não é de estranhar as conspirações – desde pactos obscuros até rituais malucos –, aumentando ainda mais o interesse não só na música, mas no estilo de vida dos quatro.

Eles nunca se prenderam a qualquer tipo de sonoridade. Com diversas influências externas, é fácil perceber que cada álbum é diferente do outro. Mas Led Zeppelin IV foi, e é até hoje, o trabalho que mais chama atenção. Não é à toa que é indicado a todos que desejam ouvir os ingleses pela primeira vez. Porém não foi assim para os críticos e, à época, o disco, como os anteriores, foi massacrado pela imprensa especializada. Mal sabiam eles que seria o álbum mais vendido da história dos Estados Unidos, batido apenas pelo Greatest Hits do Eagles, e que ficaria três anos no top-20 dos mais vendidos. A partir disso tudo, o Led Zeppelin viraria a maior banda do mundo.



 Resenha de Led Zeppelin IV

Canção que abre o disco, “Black Dog” é uma homenagem a um labrador habitante da região do castelo onde foi gravado o álbum, e foi inspirada em “Oh Well”. O riff foi ideia do habilidoso baixista e tecladista John Paul Jones. É um registro muito interessante, pois enquanto Robert Plant canta à capela, a melodia segue e para, criando todo um clima logo na abertura de Led Zeppelin IV. Aqui todos mostram que estão em ótima fase, explicando bem o motivo de o Led Zeppelin ser a maior do mundo entre o final dos anos 1960 e meados dos anos 1970.

Enquanto Bonham tocava "Keep a Knockin'", de Little Richards, Page entrou com a guitarra, improvisou; os outros acompanharam e fim, estava criada toda melodia de “Rock and Roll”. Nesta canção temos a primeira participação de alguém de fora – Ian Stewart, tecladista dos Rolling Stones e responsável pelo estúdio móvel que estava sendo usado, gravou o teclado. Bonzo mostra toda sua potência e habilidade no final da canção. Que música.



Inspirados na música celta, avô do folk, Page e Plant criaram “The Battle of Evermore”, que conta com referências de Senhor dos Anéis, universo criado por J. R. R. Tolkien. Toda no bandolim, a faixa contou com a participação de Sandy Danny, do Fairport Convention, fazendo a segunda voz. Aqui temos a ajuda de overdubs para criar o eco e a impressão de uma história no início dos anos 1000 e alguma coisa.

Fechando o lado A vem uma das maiores músicas de todos os tempos. Se uma banda precisa de uma marca registrada, “Stairway to Heaven” é a do Led Zeppelin. Letra elaborada por Page por quase um ano, ela ganhou os retoques finais quando se reuniram para gravar o quarto disco de estúdio. A grande história que rodeia a criação da faixa é a de que Robert Plant praticamente psicografou os versos complementares.



As coisas correram bem durante a gravação da parte acústica, mas a entrada da bateria de Bonzo logo após o término da primeira parte foi um problema. Page alegou que o baterista poderia fazer melhor, deixando Bonham furioso. Fervendo de raiva, ele foi para mais uma tentativa, e foi exatamente essa que entrou no disco. Já o solo de guitarra foi construído cuidadosamente para encaixar com a pretensão de tornar “Stairway to Heaven” grandiosa e épica. E eles conseguiram.

Abrindo o lado B, a melódica “Misty Mountain Hop” também conta com referências do Senhor dos Anéis. Com uma linha de baixo bem funk, ela é a que mais mistura os instrumentos e apresenta o Led Zeppelin como um todo, porém é a mais fraca. A faixa seguinte, “Four Sticks”, quase foi deixada de lado pela dificuldade de Bonzo em pegar o tempo de bateria, e isso só foi conseguido após ele voltar de uma noite bêbado e, depois de ver um show a Ginger Baker’s Airforce, querer mostrar que era um baterista melhor do que Ginger Baker, ex-Cream.



Outra faixa acústica de Led Zeppelin IV, “Going to California” foi escrita durante a passagem de Page pela Califórnia para trabalhar na finalização. A lenda diz que a canção fala de Joni Mitchell, paixão do guitarrista então casado e com um filho recém-nascido. Fechando, “When The Levee Breaks” é um cover de Memphis Minnie, famosa cantora de blues de muito sucesso entre os anos 1920 e 1950. E é aqui que vemos o potencial do Led Zeppelin, pois todos estão afiados e trabalhando em uma sintonia assombrosa.

A partir disso tudo, do conceito até a composição das letras, o Led Zeppelin teria apenas o trabalho de administrar o império que havia construído em três anos. Se ainda havia alguma dúvida do sucesso de Jimmy Page, John Paul Jones, John Bonham e Robert Plant, isso acabou definitivamente em Led Zeppelin IV, o melhor e mais completo de uma das maiores bandas de todos os tempos.



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