sexta-feira, 4 de maio de 2018

Live Nation compra Rock in Rio: vem um festival (ainda) mais igual aos outros?


Empresa ainda detém outros grandes festivais de música pelo mundo

Na última quarta-feira (2), a produtora Live Nation anunciou a compra de parte do Rock in Rio, festival organizado pela família Medina desde 1985. O negócio incluiu os 50% dos americanos da SFX, parte que os Medina desejavam recomprar desde 2016, mais uma parte para virar sócia majoritária – as informações são de Lauro Jardim, colunista do jornal 'O Globo'. A empresa americana também é dona do Lollapalooza, Bonnaroo e Austin City Limits nos Estados Unidos, do Reading e Leeds Festival no Reino Unido, além de controlar a Ticketmaster.

A Live Nation assumirá os negócios, mas não mudará "a cara" do festival. Roberto Medina, assim como Perry Farrell no Lollapalooza, seguirá como o responsável pela gerência do evento e por aparecer diante das câmeras nas entrevistas coletivas para falar do evento.

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Assim como o Facebook vem fazendo com empresas menores, nós estamos vendo meia dúzia de empresas tomando conta dos festivais de música pelo mundo. Há pouco menos de dois anos, André Barcinski escreveu um texto no UOL sobre esse problema. Um trecho abaixo:

Hoje, três ou quatro empresas controlam alguns dos maiores eventos musicais do mundo. Além do Lollapalooza, a Live Nation é dona do Bonnaroo, do Austin City Limits e do festival de música eletrônica EDC. A AEG Live é dona do Coachella, do Stagecoach e do Desert Trip (...). A SFX é dona de dois imensos festivais de música eletrônica, Tomorrowland e Electric Zoo.

A compra vem em um ótimo momento da Live Nation. O primeiro trimestre de 2018 foi 24% melhor do que os três meses anteriores ao ter lucro US$ 114 milhões. Isso foi resultado do aumento de 22% de shows no período para um público 15% maior, o que resultou 60 milhões de ingressos vendidos pela Ticketmaster – o maior número da história da empesa. Entre abril e início de maio, já foram vendidos 48 milhões de ingressos, 5% a mais do que o mesmo período do ano passado.

Esse movimento, agora ganhando alcance global, caminha para deixar os festivais iguais ou com leves variações entre um ano e outro. Já não é anormal uma banda, por exemplo, tocar em vários festivais dos mesmos donos ao longo do ano, numa espécie de pacote. E fora que, com o passar dos anos, tudo tenha ganhado cara de evento em que a música é apenas uma parte de todo resto.


Se você prefere evitar esse tipo de grande festival, a melhor alternativa ainda são os com bandas majoritariamente de metal ou os de médio porte – Levitation, Liverpool Psych Fest e Primavera Sound (Espanha e Portugal) são algumas das alternativas, caso você esteja pensando em viajar para fora do país e quer ir em um festival. No Brasil, Abril Pro Rock, Psicodália e Bananada são boas opções.

De resto, esse tipo de evento de grande porte caminha para um pacote de modismo em que só será possível diferenciar alguma coisa prestando bastante atenção no nome do festival.

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