quarta-feira, 18 de abril de 2018

Kendrick Lamar não precisa (mesmo) do Grammy


Rapper fez história ao ser o primeiro rapper vencedor do Pulitzer em música

Parece não haver limites para Kendrick Lamar. Nos últimos anos, o rapper consolidou o status de melhor da década com o ótimo To Pimp a Butterfly, com o muito bom DAMN. e ao ser convidado para fazer uma trilha sonora exclusiva para o filme Pantera Negra. Agora, ele fez história – mesmo, não essas esquecidas em uma semana ou menos – ao levar o Pulitzer na categoria música. Isso não é pouco.

O prêmio jamais havia sido entregue para alguém fora da música clássica ou do jazz, à parte a homenagem a Bob Dylan em 2008 pelos famosos "serviços prestados". Isso só mostra como Kendrick Lamar e, por consequência, sua música estão transcendendo barreiras nos últimos anos. Com isso, fica impossível não achar ridículo ele não ter ganhado o Grammy de Melhor Álbum neste ano.

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Muitas vezes, as premiações funcionam como recados à sociedade daquele determinado grupo de pessoas. Um especialista nisso é o Oscar. De dar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro ao chileno Uma Mulher Fantástica neste ano, estrelado por uma atriz transgênero, a premiar Guerra ao Terror em 2010 – longa sobre as consequências do ataque ao World Trade Center, gerando as invasões no Afeganistão e no Iraque. São pequenos toques no melhor estilo: "vocês precisam mudar as coisas".

Isso não acontece com o Grammy.

A Academia não parece querer entrar em grandes brigas em qualquer aspecto. Seria corroborar com seu protesto e apoiar o discurso ao premiar Kendrick Lamar. Dar para Bruno Mars pelo trabalho em 24K Magic, por melhor que seja – e não é ruim, diga-se –, é uma forma de fugir do embate e dar para o menos nocivo possível. Houve gritaria nas primeiras 24 horas, mas duvido que você tenha lembrado o vencedor sem ter lido esse parágrafo até o final.

Lamar vive de sua música e a usa para protestar e abordar temas cotidianos. Ninguém vai pará-lo. Diferente de, por exemplo, Colin Kaepernick na NFL. O quarterback começou a ajoelhar no hino nacional para protestar contra violência policial contra negros e foi seguido por vários colegas de profissão. Ele teve apoio de muita gente, mas é acusado por muitos de "chamar atenção demais". Resultado: é ativista e segue sua luta, mas está desempregado.

O rapper não depende da boa vontade de donos de times para conseguir um trabalho, um show ou um prêmio. A vitória no Pulitzer mostra que Lamar também não depende do Grammy para nada. Aliás, o Grammy não serve para nada, na real. Os últimos trabalhos mostram que ele já ultrapassou os limites da música e atingiu milhões de pessoas pelo mundo. Não há prêmio melhor do que esse.

Certo está Stone Gossard, guitarrista do Pearl Jam, ao deixar Grammy recebido em 1996 no porão.


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