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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Resenha: Björk – Utopia


Cantora entrega disco mais otimista sem esquecer os traumas do passado recente

No trabalho anterior, Vulnicura (2015), Björk estava passando por um mau momento na vida pessoal, e isso se refletiu no denso e melancólico disco em que a cantora não se furtou em pesar a mão para refletir exatamente o que estava sentido. Em Utopia, nono disco de estúdio, ela promete algo mais alegre – seja lá o que isso signifique para Björk.

Quem é parte fundamental do trabalho de Björk é o produtor venezuelano Arca, que ajudou a cantora a compor o complexo arranjo de "Arisen My Senses, faixa de abertura. Com diversas camadas e texturas, a canção é o ponto de partida para alguém que está disposta a ser exatamente o oposto do que mostrou há pouco mais de dois anos. A seguinte, "Blissing Me", mostra uma história de amor com um dos arranjos mais bonitos que Björk e Arca já fizeram juntos – é inteiro baseado na harpa.

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"The Gate" confirma a teoria de que o significado de amor para Björk neste álbum é muito maior do que ter alguém por perto. Aqui, com ajuda dos sintetizadores, ela transforma o sentimento em algo quase transcendental. E a faixa-título conecta os dois últimos discos da cantora, quando o lugar utópico (soa muito uma bonita floresta) é contaminado por um tipo de fumaça tóxica – especula-se que seja um recado muito direto ao ex-marido, quem a cantora teve um processo traumático de separação durante a composição do último disco de estúdio antes deste.

A cantora do presente fala para o passado e o futuro em "Body Memory". Com ajuda do grupo instrumental islandês chamado Hamrahlíðarkórinn (The Hamrahlid Choir ou Coral de Hamrahlid em tradução livre), a canção explica quase em detalhes o que Björk quer para si na segunda metade de sua vida, mesmo com suas inseguranças e incertezas da vida – é uma das mais bonitas canções já feitas por ela. "Features Creatures" tem um ar fantasmagórico estranho e demorar a entendê-la não é algo muito estranho, já "Courtship" traz um quê de modernidade ao falar dos relacionamentos atuais.

Mais próxima da melancolia do disco anterior, "Losss" tem um lado experimental dos mais agradáveis para quem gosta, principalmente pela exploração de sonoridades e camadas. Mas é em "Sue Me" que a cantora fala abertamente do conturbado processo de separação ao chamar o ex-marido de narcisista abertamente – o arranjo experimental segue dos mais intrigantes para quem gosta. A cantora também explora assuntos mundanos, como em "Tabula Rasa", quando fala que a geração mais jovem tem a chance de fazer coisas novas e não repetir os erros dos mais velhos.

A sequência de músicas curtas que vem com "Claimstaker" e "Paradisia" serve para mostrar como é possível fazer boas faixas com tons completamente diferentes entre si. A primeira é bem experimental; a segunda é quase uma ópera. Em "Saint" temos o que, certamente, é possível classificar com "gospel da Björk" – outra faixa de arranjo lindo. Para finalizar o álbum, "Future Forever" traz uma mensagem de esperança sobre o futuro ter infinitas possibilidades.

Mesmo sendo um disco com uma temática muito palatável por parte da maioria das pessoas, não é um trabalho fácil de ouvir. Mais do que a mensagem em si, nesse caso em especial, importa muito como a mensagem é transmitida. E nisso só mesmo Björk e Arca poderiam fazer escolhas tão fora da curva como as feitas em Utopia. Otimista, mas sem esquecer o passado, o registro mostra como a cantora e seu parceiro de composições ainda têm muita coisa para fazer e experimentar musicalmente. É um álbum dos melhores da carreira da cantora islandesa.

Tracklist:

1 - "Arisen My Senses"
2 - "Blissing Me"
3 - "The Gate"
4 - "Utopia"
5 - "Body Memory"
6 - "Features Creatures"
7 - "Courtship"
8 - "Losss"
9 - "Sue Me"
10 - "Tabula Rasa"
11 - "Claimstaker"
12 - "Paradisia"
13 - "Saint"
14 - "Future Forever"

Nota: 4/5



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