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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Resenha: Björk – Vulnicura


Aconteceu com a Björk algo que não é mais surpresa: o vazamento de seu mais novo trabalho. Para ela, não foi apenas o vazamento em si, mas isso ter acontecido dois meses antes do lançamento. Mas ao invés de processar os fãs ou falar para o pessoal não baixar, decidiu-se pelo óbvio ao disponibilizar Vulnicura na iTunes Store o mais rapidamente possível, aproveitando que as pessoas estão falando bastante dele.

Vulnicura é o nono disco de estúdio da cantora, o primeiro desde o sucesso de Biophilia, de 2011, que gerou um DVD ao vivo e um aplicativo para smartphone – ambos com grande sucesso entre público e crítica. Uma das coisas que chama atenção na carreira de Björk é que o ouvinte não precisa apenas comprar a ideia de que ela está cantando, mas também precisa entrar de cabeça na ideia e na proposta do álbum. É assim há algum tempo e não mudou neste novo disco.

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O vocal quase falado de "Stonemilker", aliado com uma melodia leve e cheia de overdubs e efeitos, cria um clima épico logo de cara. Das duas uma: ou vão amar, ou vão odiar, porque não é uma canção fácil. E fazer isso logo de cara tem seu preço, como em "Lionsong". A segunda canção parece algum tipo de obra de arte abstrata, já que é muito difícil não estranhar o uso dos elementos na construção da faixa.

Com menos de três minutos, "History of Touches" é que mais se aproxima do que Björk já fez na carreira. Ela acaba servindo de introdução a "Black Lake", uma canção com mais de dez minutos de duração que parece uma ópera rock à la Björk – com todas as suas nuances, efeitos e outras coisas mais. De longe, é a mais difícil de todo álbum. Em "Family", também optaram por dividir a letra em diferentes seções com melodias diferentes, soando mais como uma ópera mesmo.

"Notget" também é mais próximo de canções feitas anteriormente, muito diferente de "Atom Dance", uma confusão sonora dos diabos. É muita coisa misturada. Oitava faixa, "Mouth Mantra" não soa muito bem de primeira, mas é possível gostar dela em mais audições. Se você não tiver paciência para isso, você não está totalmente errado. Encerrando, "Quicksand" acaba sendo uma faixa normal perto das outras.

E não estranhe, resumir quatro canções em um único parágrafo dá bem a tona do que é o novo disco da Björk. É o caso de quem é muito fã comprará a ideia desse disco, que deve funcionar muito bem ao vivo com auxilio visual, bailarinas e outras coisas. Mas para quem não é fã... É muito difícil, cheio de nuances e detalhes complicados. Enfim, sobre o disco: a primeira metade é boa, a segunda é mais ou menos. Por isso, acaba sendo um disco regular.

Tracklist:

1 - "Stonemilker"
2 - "Lionsong"
3 - "History of Touches"
4 - "Black Lake"
5 - "Family"
6 - "Notget"
7 - "Atom Dance"
8 - "Mouth Mantra"
9 - "Quicksand"

Nota: 2,5/5