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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Resenha: Feist – Pleasure


Cantora ficou quase uma década longe das gravações

Se quer havia ideia de blog quando Feist lançou seu último trabalho de estúdio, Metals (2011), então a resenha de Pleasure será a primeira sobre um disco da cantora por aqui. Sete anos atrás parece outra vida, por isso a notícia desse álbum foi recebida com bastante cautela. Sei de todo talento dela, mas é muito tempo sem material de estúdio. E, se é quase outra vida, estamos em outros tempos.

A faixa título abre o disco e o impacto é instantâneo. Porque, por mais prazeroso que seja, é um letra muito pesada e carregada de instrumentos pesados. Soa muito o trabalho do The Kills em que Alison Mosshart tem todo apoio para se soltar – gritar, berrar e performar – nas canções. Parece que Feist está afim de desabafar, e isso fica claro em "I Wish I Didn't Miss You". A segunda faixa do registro é um blues cheio de distorções e com cara de antiguidade para falar sobre os restos de um relacionamento acabado.

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Existem dias em que estamos ótimos, outros em que estamos péssimos. "Get Not High, Get Not Low" fala sobre essas oscilações de humor ao longo do tempo em um arranjo folk (quando o momento é triste) com algo mais para cima (quando o momento é feliz) e eficazes para transmitir o recado. Se "Lost Dreams" traz letras e arranjos melancólicos, "Any Party" é uma balada fora do convencional. O arranjo acelerado muda todo comportamento da letra, que vira algo poderoso e até raivoso em determinados momentos.

"A Man Is Not His Song" é uma bonita canção em que Feist explica a diferença entre o cantor e o homem fora do palco, mas que a união entre os dois têm muita força – se realmente são unidos. A bonita poesia "The Wind" virou uma faixa melancólica e experimental das mais interessantes, enquanto "Century", parceria com Jarvis Cocker, aparece como a melhor do disco por conseguir unir tudo que foi mostrado desde o início em uma canção coesa, dançante e feita para durar.

A cantora usa um arranjos simples em "Baby Be Simple", quando canta, com uma voz muito serena e tranquila, para o outro ser simples com ela. "I'm Not Running Away" (outra bonita poesia de arranjo muito bom) e "Young Up" (uma balada de letra melancólica sobre crescimento) fecham o disco.

Feist tem uma facilidade incrível em criar canções de fácil identificação entre todas as pessoas. Basicamente, ao falar sobre a vida de um modo muito particular, ela acaba atingindo a todos. A variação de arranjos mostra como ela amadureceu após quase uma década sem nenhum registro de inéditas. Ela conseguiu ir além em um álbum dos mais bonitos lançados neste ano.

Tracklist: 

1 - "Pleasure"
2 - "I Wish I Didn't Miss You"
3 - "Get Not High, Get Not Low"
4 - "Lost Dreams"
5 - "Any Party"
6 - "A Man Is Not His Song"
7 - "The Wind"
8 - "Century"
9 - "Baby Be Simple"
10 - "I'm Not Running Away"
11 - "Young Up"

Nota: 4/5



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