Resenha: Sara Não Tem Nome – Ômega III


O peculiar nome já chamaria a atenção, mas Sara Não Tem Nome parece ser muito mais do que apenas isso. Ao fazer parte do projeto de residência artística do Red Bull Station, Sara conseguiu gravar o disco e chamar um pessoal bem legal para ajudá-la, como Julito Cavalcante, do Macaco Bong. Ômega III é a estreia da cantora mineira em estúdio.
  • Gravadora: -
  • Lançamento: 22 de setembro
  • Produção: Julito Cavalcante, Sara Não Tem Nome
  • Duração: 36 minutos
A melodia leve e tranquila de "Dias Difíceis" traz um clima de interior, quase algo bucólico e distante para muitos de nós. Com a informação de que o disco teve seu início quando Sara tinha 15 anos, não é de se espantar a letra fácil e simples da abertura do álbum. Até mesmo a levada da banda, incluindo o violão, também não é difícil, assim como o ar quase psicodélico dos momentos finais.

"Atemporal" mantém a linha da anterior, só que com um pouco mais de efeitos. A letra repetitiva ajuda a decorá-la mais rápido, grudando na sua cabeça por algumas horas até passar um carro tocando ‘99% anjo, perfeito, etc., etc.’. O jogo de palavras de "Água Viva" deixa a música muito legal, além da boa parte instrumental. E parece que ter dois dos integrantes do BIKE trouxe uma alma psicodélica ao trabalho.

Mais uma que adota um estilo sereno na primeira metade e aumenta o ritmo depois, a faixa-título é melancólica e ajuda a entender bastante a proposta do álbum, e "Ajude-Me", olhando o momento atual da cidade mineira de Mariana, caiu como uma reflexão. Não foi de propósito, claro, mas não deixa de ser interessante como algumas canções simplesmente aparecem para refletir uma realidade sem ter a intenção de fazer isso.

Ao ter os versos ‘Deus esqueceu de mim/Deus esqueceu de nós’, "Páscoa de Noel" é mais uma que expõe certa reflexão ao ouvinte por conta da boa letra. Uma pedrada emocional, "Carne Vermelha" tem um refrão negativista e grudento, fazendo qualquer um cantar ‘eu sou um fracasso’ pela rua. Diferente das outras, essa tem uma pegada mais próxima de um pop rock de rádio, algo que pode ser um diferencial para Sara no futuro. Mais uma nessa pegada é a seguinte, "Queda Livre", ainda mais interessante do ponto de vista comercial.

Imagino que o início de carreira das bandas não seja fácil, mas apelar para um folk em inglês não deveria fazer parte dos planos. "Prison Break" quebrou todo ritmo do álbum por ser desnecessária, porém "Solidão" aparece e a normalidade parece retornar. A ciumenta "Grandma I Love You So” (em português, apesar do título) retrata a insegurança que muitos demonstraram ao longo da vida, e a curta "We Were Born Dead", essa em inglês, encerra o disco.

Apesar de duas músicas em inglês, o que é sempre desapontador em algum trabalho iniciante, a estreia de Sara Não Tem Nome superou as expectativas. Se não é o melhor disco brasileiro que ouvi neste ano, certamente ela é a que tem mais potencial de crescimento ao longo dos anos. Basta ajeitar o prumo, corrigir alguns excessos, coisa pouca, e seguir em frente.

Tracklist:

1 - "Dias Difíceis"
2 - "Atemporal"
3 - "Água Viva"
4 - "Ômega III"
5 - "Ajude-Me"
6 - "Páscoa de Noel"
7 - "Carne Vermelha"
8 - "Queda Livre"
9 - "Prison Break"
10 - "Solidão"
11 - "Grandma I Love You So"
12 - "We Were Born Dead"

Nota: 3,5/5



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