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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Resenha: Bong - We Are, We Were and We Will Have Been


Por Giovanni Cabral

Os conceitos sobre o que é e como transcorre o tempo foram contraditórios na filosofia, afinal como seria possível medir o presente e compreender a dimensão do agora? Já o passado, para alguns, não pode ser tratado como realidade, pois ele é algo que não existe mais e lembranças nem sempre são eternas – estímulos e informações vividas podem ser borradas e/ou misturadas no nosso cérebro. Nós não somos bons em perceber o tempo, e isso é o que torna-o tão complexo.
  • Gravadora: Ritual Productions
  • Lançamento: 26 de maio
  • Produção: -
  • Duração: 35min21
Se formos imaginar a música do Bong como uma representação mística temporal, certamente seria uma forma de demonstrar o conceito do filósofo J. M. E. McTaggart em um campo sonoro. Para McTaggart, em sua Teoria A, é possível organizar as coisas na mente conforme elas acontecem – e se formos analisar bem, o drone metal como um todo é basicamente uma lentíssima construção de minúsculos acontecimentos. Um momento não pode ser passado, presente e futuro, mas uma sequência de riffs propositalmente semelhantes pode burlar essa ideia.

Se em 2014, os britânicos de Newcastle haviam desconstruído o significado do stoner rock – com um álbum de mesmo nome – ao buscar o lado mais primitivo imaginável do termo, este ano eles retornam com essa invisível reflexão sobre o tempo em seu sétimo disco de estúdio. Ou melhor, nem tão invisível assim, já que o título serve como um complemento das analogias que citadas antes. É a volta a sua própria terra intocada, onde paciência e atenção não parecem ser artes perdidas.

A primeira faixa, "Time Regained", traz ranhuras de uma nota de guitarra distorcida sendo repetida monotonamente, até colidir com um baixo arrastado e uma bateria ritualística, em que vozes extremamente psicodélicas complementam a aura apocalíptica dos 17 minutos do som. "Find Your Own Gods" é outra gigantesca música, porém mais ambiente que a anterior. O colosso dessa segunda música nos faz entrar em uma viagem astral que, aliás, pode ser exemplificada nos seguintes versos: "Encontre seus próprios deuses, não nas tristes capelas e santuários desanimadores, mas sob as pedras e riachos, na névoa e nas colinas, através da luz macia da manhã, atrás da sombra das árvores".

Tracklist:

1 – “Time Regained”
2 – “Find Your Own Gods”

Dave Terry: baixo e vocais
Mike Smith: bateria
Mike Vest: guitarras e efeitos
Ben Freeth: cítara e Shahi Baaja

Nota: 4,5/5



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