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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Resenha: EL VY – Return to the Moon


O EL VY (fala-se ‘el vai’) é o projeto de Matt Berninger, vocalista e compositor do The National, e Brent Knopf, músico das bandas Menomena e Ramona Falls. A amizade entre ambos é de longa data, mas só agora eles arrumaram um tempo para colocar ideias de anos no papel e em um disco, o primeiro da dupla com o nome.
  • Gravadora: 4AD
  • Lançamento: 30 de outubro
  • Produção: EL VY
  • Duração: 41 minutos
O nome da faixa título é imenso, "Return To The Moon (Political Song for Didi Bloome to Sing, with Crescendo)", mas é divertidíssima e apresenta uma personagem – Didi, no caso. Dançante, apesar de se tratar de uma decepção amorosa, nem de perto soa algo do National, bem mais melancólico e lírico. E a dupla mostra, logo de cara, a intenção de se divertir ao lançar um trabalho juntos pela primeira vez. Soando muito uma história real, "I’m The Man To Be" é aquele tipo de música que está perto de ser pop (pela letra) e muito perto de ser experimental (pela melodia), ficando exatamente no meio.

"Paul Is Alive" nada mais é que uma referência à famosa história da morte de Paul McCartney nos anos 1960. Cheia de referências aos anos 1980, é outra que traz um recorte muito real de uma história de vida – qualquer um com mais de 30 anos ou que saiba um pouco de história musical perceberá todas as citações rapidamente. As três primeiras canções conseguem encantar e, ao mesmo tempo, são divertidas e sem compromisso algum.

A melancólica letra de "Need A Friend" não combina em nada com a ótima melodia, mas dá uma ideia do tipo de música que o EL VY deseja apresentar ao público, e “Silent Ivy Hotel" tem um quê de anos 1950, piano e bateria bem leve, bem interessante e até ousado. A ótima letra de "No Time To Crank The Sun", quase uma poesia musicada, coloca Matt Berninger entre os bons compositores de sua geração.

Se antes o disco era despretensioso, "It’s A Game" torna-o algo sério, quase um disco para adultos. Na linha canção desabafo, mais popular do que nunca, ela consegue chamar atenção do início ao fim por tratar a vida como um jogo em que a solidão é uma peça quase chave, e "Sleepin’ Light" tem um quê de Strokes, porém é bem comum para os padrões alcançados no disco.

As três últimas, "Sad Case" (forte e de refrão triste), "Happiness, Missouri" (guitarras altas e refrão grudento) e "Careless" (melancólica, quase um blues) fecham a ótima estreia do EL VY em disco, trabalho que eles conseguiram mostrar duas facetas: a de não se levar a sério e de usar a música como meio para colocar sentimentos tristes para fora. Um disco como a vida é.

Tracklist:

1 - "Return To The Moon (Political Song for Didi Bloome to Sing, with Crescendo)"
2 - "I’m The Man To Be"
3 - "Paul Is Alive"
4 - "Need A Friend"
5 - "Silent Ivy Hotel"
6 - "No Time To Crank The Sun"
7 - "It’s A Game"
8 - "Sleepin’ Light" (feat. Ural Thomas)
9 - "Sad Case"
10 - "Happiness, Missouri"
11 - "Careless"

Nota: 3,5/5

Matt Berninger: vocais, composições e instrumentos diversos
Brent Knopf: composições, instrumentos diversos e melodias



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