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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Discos para história: Parallel Lines, do Blondie (1978)


A 78ª edição do Discos para história fala sobre o terceiro disco de estúdio do Blondie. Parallel Lines, com o single “Heart of Glass”, catapultou a banda do apertado mundo punk do CBGB para fazer sucesso pelo mundo com sua mudança de estilo.

História do disco

O início do sucesso de Parallel Lines começa em 1977, na Austrália, quando uma rede de TV local passou a B-side "In the Flesh" ao invés de "X-Offender", o single escolhido para divulgar o primeiro disco da banda no país. Por dessas coisas do destino, o Blondie estourou por lá – sempre lembrando que a banda era bem punk e nada tinha a ver com o Television, por exemplo, banda que também surgiu tocando no lendário CBGB.

Depois de lançar Plastic Letters, eles conseguiram fazer sucesso e emplacar na Inglaterra, em parte da Europa e na Ásia, sendo a primeira banda da chamada new wave a fazer sucesso do outro lado do Atlântico. Depois da saída de Gary Valentine, a formação se estabilizou com Debbie Harry,Chris Stein, Clem Burke, Jimmy Destri, Nigel Harrison e Frank Infante.

No mesmo ano de lançamento do segundo trabalho de estúdio, o Blondie entrou em estúdio para gravar o que viria a ser Parallel Lines. E a vida da banda mudaria para sempre depois de uma viagem a Los Angeles, na Califórnia. Por lá, eles conheceram o produtor australiano Mike Chapman. Então empresário do grupo, Peter Leeds gostou do que ouviu falar de Chapman e tentou convencê-los a dispensar Richard Gottehrer, que trabalhava com eles desde o início, para ter uma pessoa com novas ideias na produção.

Os homens do grupo ficaram empolgados com a chance de fazer coisas novas e de buscar novas sonoridades, mas Debbie Harry não viu com bons olhos a mudança. Mesmo com ela relutando, mudaram de produtor e Chapman viajou com eles para Nova York para gravar o novo álbum. E Harry ficou impressionada com a metodologia de trabalho do novo produtor e aliviada por ver que ele era um cara muito talentoso e disposto a fazer o necessário para conseguir o que queria em uma música – nem que isso levasse dias.

Apesar de muito choro, frustração e discussões ásperas, o disco que deveria ser gravado em seis meses foi feito em seis semanas. Até por isso, a banda acabou lançando um trabalho em fevereiro e outro em abril, um perigo se imaginar que o sucesso de um poderia matar as vendas do outro. Neste trabalho em especial, Chapman usou uma espécie de marcação para separar os instrumentos para trabalhar com cada parte separada antes de juntá-las. Hoje, isso é feito com ajuda de um computador. Naquela época, foi tudo feito no braço.

Nem todas as letras do álbum ficaram prontas durante as gravações, então, em algumas vezes, Harry sentava no chão do estúdio e reescrevia alguns versos depois de uma tentativa frustrada de take. Às vezes, faltava letra; às vezes, sobrava. Muitas canções ficaram prontas depois da segunda ou terceira tentativa de gravação. E o ritmo foi tão intenso, que a banda estava dormindo quatro horas por noite, sendo acordada às 6h para continuar o trabalho. Tudo isso foi feito com um objetivo: ampliar o público da banda e conseguir o sucesso comercial.

Mas os executivos da gravadora Chrysalis não acreditavam no sucesso de Parallel Lines e chegaram a pedir para jogar fora todo trabalho feito até ali e recomeçar, porém Chapman bancou o álbum e cravou que os singles lançados fariam muito sucesso. E... Bingo.

O disco foi aclamado por público e crítica, e tornou-se um dos maiores sucessos dos anos 1970, e uma referência da new wave, além de ficar 106 semanas nas paradas do Reino Unido. Esse álbum era o recado do Blondie aos dinossauros da música: havia gente nova no pedaço fazendo coisas boas e angariando gente que não queria mais saber dos veteranos dos anos 1960. Depois disso, a new wave não seria mais a mesma.


Resenha de Parallel Lines

Começar um disco com um cover é sempre difícil, mas "Hanging on the Telephone" é tão Blondie, que acabou sendo apropriada pela banda e nem parece que o Nerves a gravou algum dia. De cara, a voz de Debbie Harry dá as caras e domina completamente a faixa, com a guitarra e os outros instrumentos servindo apenas de apoio. Há uma entrega muito interessante na faixa, mostrando que eles estavam prontos para sair do mundo do CBGB.

Outra faixa que ultrapassou os anos 1970 e faz parte da cultura pop é "One Way or Another" com seu refrão grudento. Os jovens podem não saber, mas a letra é inspirada em um ex-namorado de Harry que era um ‘stalker’, para usar um termo de hoje. Infelizmente, o One Direction regravou a canção e agora ela circula por aí em uma versão lamentável.



Saindo da dança e partindo para uma balada quase punk, "Picture This" é dessas que você ouve com o maior gosto por se identificar com as palavras cantadas por Harry, enquanto "Fade Away and Radiate" tem um clima meio anos 1950 e é uma ótima balada, assim como "Pretty Baby", essa, no caso, é bem anos 1970 com toques da dance music. Para encerrar o lado A, justamente a única faixa em que o guitarrista Frank Infante é creditado sozinho, "I Know but I Don't Know" tem muita guitarras e é bem pop.

Sabe quem poderia cantar "11:59" tranquilamente? Morrissey. Absurdo como uma letra tão dele tenha sido composta pelo tecladista do Blondie. Debbie Harry está muito bem, e o teclado, claro, toma conta de toda melodia. Uma ótima para dançar em qualquer balada. Outra da era punk da banda no CBGB, "Will Anything Happen?" é rápida, rasteira e ótima para lembrar que os Ramones também fizeram parte da new wave. Número um nas paradas do Reino Unido, "Sunday Girl" contém um trecho em francês que acabou ajudando na divulgação do single na França – até por isso, uma versão da canção completamente em francês foi gravada. É muito pop até mesmo para o Blondie, mas não deixa de ser interessante.



Agora, a grande canção de Parallel Lines é "Heart of Glass". Escrita entre 1974 e 1975, a canção é totalmente baseada na disco music, e só saiu por insistência do produtor Mike Chapman. Foi a canção que deu mais trabalho para fazer, porque não tinha como gravar tudo junto por conta dos inúmeros overdubs necessários para deixá-la redonda. Então, cada membro da banda gravou sua parte para deixar o trabalho nas mãos do produtor e sua equipe. Nessa canção em especial, o uso da bateria eletrônica Roland CR-78, sintetizadores e duplicar a voz de Debbie Harry são elementos fundamentais para entendê-la e apreciá-la como uma das grandes músicas dos anos 1970.

Particularmente, acho bem fraca a versão de "I'm Gonna Love You Too" neste álbum do Blondie e acaba sendo o momento mais baixo de todo álbum, mas "Just Go Away" encerra bem o disco ao lembrar a origem do Blondie e quando eles são gratos ao que havia acontecido até ali.

O Blondie não saiu do circuito do CBGB de graça. Com Parallel Lines, eles atravessaram a fronteira para o mainstream ao fazer um álbum com referências ao pop e disco music com uma pitada de punk. Apesar de o resultado não ter agradado aos fãs antigos, mudou o patamar do grupo não só nos Estados Unidos, mas no mundo. Não havia mais limites para eles.



Ficha técnica

Tracklist:

Lado A

1 - "Hanging on the Telephone" (The Nerves cover) (Jack Lee)
2 - "One Way or Another" (Debbie Harry e Nigel Harrison)
3 - "Picture This" (Harry, Chris Stein e Jimmy Destri)
4 - "Fade Away and Radiate" (Stein)
5 - "Pretty Baby" (Harry e Stein)
6 - "I Know but I Don't Know" (Frank Infante)

Lado B

7 - "11:59" (Destri)
8 - "Will Anything Happen?" (Jack Lee)
9 - "Sunday Girl" (Stein)
10 - "Heart of Glass" (Harry e Stein)
11 - "I'm Gonna Love You Too" (Buddy Holly cover) (Joe B. Mauldin, Niki Sullivan e Norman Petty)
12 - "Just Go Away" (Harry)

Gravadora: Chrysalis
Produção: Mike Chapman
Duração: 39min06s

Debbie Harry: vocais
Chris Stein: guitarras e ebow
Clem Burke: bateria
Jimmy Destri: teclado
Nigel Harrison: baixo
Frank Infante: guitarra


Veja também:
Discos para história: On The Beach, de Neil Young (1974)
Discos para história: Led Zeppelin II, do Led Zeppelin (1969)
Discos para história: (What's the Story) Morning Glory?, do Oasis (1995)
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