Crítica: Khruangbin - A La Sala

Khruangbin é um trio formado por Laura Lee Ochoa (baixo e vocal), Mark Speer (guitarra e vocal) e DJ Johnson (bateria, teclado e vocal) e, ao longo de quase 15 anos de existência, sempre contou com colaboradores em todos os álbuns de estúdio. Inspirados pelo nome, que segundo Ochoa era o gritado por ela pela casa para reunir a família, eles fazem de “A La Sala” não apenas uma volta às origens sonoras, mas também um trabalho apenas dos três pela primeira vez.

É impossível não sair da audição desse disco com a sensação de ouvir uma obra com enorme potencial para ser lembrada pelos próximos anos. O disco começa com “Fifteen Fifty-Three”, uma faixa instrumental que aposta na influência do psicodélico para fazer o ouvinte prestar atenção, algo fundamental por aqui. Na sequência, aparece “May Ninth”, uma das músicas mais bonitas lançadas até esse momento de 2024 (“Waiting for May to come/ Hoping for the rain/ A memory held too long/ Just another day”).

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O clima sai da melancolia e retorna para calmaria em “Ada Jean” e em “Farolim de Felgueiras”, uma homenagem ao famoso farol localizado na cidade do Porto, em Portugal. E logo as coisas ficam agitadas na inspirada “Pon Pón”, quando a guitarra latina surge com força para mostrar como o ritmo desse lado do mundo é realmente diferente e especial, uma homenagem às origens mexicanas da vocalista.

Aceitação é o tema de “Todavía Viva”, essa traz o baixo mais ‘funkeado’ e bem presente, dando o ritmo para transformar a faixa nessas boas de bater o pé em qualquer lugar. A sequência formada por “Juegos y Nubes”, “Hold Me Up (Thank You)” (“You have friend and lover/ You have sister and brother/ You have auntie and uncle/ You have father and mother/ Ooh, they got your number”) e “Caja de la Sala” mostram uma banda afinadíssima em mostrar o que sabe em momentos cheios de ritmo e melancolia, sempre com muito equilíbrio. A calmaria de “Three from Two” encaminha os momentos finais do disco, ainda com a poderosa “A Love International” e a melancólica “Les Petits Gris”, essa última soando como música final de créditos de um filme triste.

Em um álbum com muitas reflexões de apelo universal, “A La Sala” deve ser um desses que pouquíssimas pessoas vão ouvir até o final, mas será uma desses marcantes por muitos e muitos anos na vida de muita gente. É difícil não sair arrebatado pela qualidade musical e pelas poucas palavras ditas em quase 40 minutos. Muitas vezes, é o suficiente para acertar em cheio. É o caso aqui.

Tracklist:

1 - “Fifteen Fifty-Three”
2 - “May Ninth”
3 - “Ada Jean”
4 - “Farolim de Felgueiras”
5 - “Pon Pón”
6 - “Todavía Viva”
7 - “Juegos y Nubes”
8 - “Hold Me Up (Thank You)”
9 - “Caja de la Sala”
10 - “Three from Two”
11 - “A Love International”
12 - “Les Petits Gris”

Gravadora: Dead Oceans/ Night Time Stories
Produção: Mark Speer e Steve Christensen
Duração: 39min31

Avaliação: ótimo

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