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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Resenha: trilha sonora de Mank


Qualquer personagem fascinante merece uma cinebiografia de respeito para contar, ainda que em parte, sua história. Em "Mank", novo filme de David Fincher, podemos conhecer um pouco da índole e do processo criativo de Herman J. Mankiewicz, roteirista responsável por "Cidadão Kane", a maior obra-prima da história do cinema.

Entre voltas ao passado para entendermos como ele chegou ali, os problemas do presente e sem saber que será do futuro, ele passa uma parte considerável do filme de cama após sofrer um grave acidente de carro. Deitado, ele dita o roteiro para uma assistente. Tudo baseado na vida de pessoas que conheceu ao longo dos anos -- aliás, é uma ótima pedida assistir "Cidadão Kane" depois de "Mank".

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Para embalar a história, a trilha sonora do filme foi composta por Trent Reznor e Atticus Ross, que já trabalharam com o diretor em "A Rede Social" e ganharam o Oscar em Melhor Trilha Sonora. Pelo histórico do trio, a expectativa pelos temas instrumentais era algo mais soturno e cheio de nuances que só eles conseguiram dar. Mas não é feito. E é aí que está o fator surpresa.

"Mank" é todo em preto e branco e reproduz com bastante fidelidade os filmes dos anos 1940 em todos os aspectos. Então, uma trilha como eles estão habituados a fazer não caberia, certo? A dupla acaba surpreendendo ao também apostar na sonoridade dos filmes da época. É inacreditável o trabalho feito em pouco mais de 90 minutos ao conseguir fazer algo que não combina em nada com eles.

Do uso dos instrumentos clássicos até as melodias e arranjos, Reznor e Ross surpreendem a cada minuto de audição. Esperava qualquer coisa deles, menos fazer o simples e óbvio. Tem hora em que fazer o simples é muito complicado para muita gente, sendo muito mais fácil enfeitar e fazer coisas grotescas para esconder a própria incompetência. Eles estão há muito tempo nisso e, dá para afirmar com bastante tranquilidade, que é um dos melhores trabalhos da dupla em trilhas.

A trilha sonora de "Mank" ajuda a colocar o expectador ainda mais na época em que se passa a história. Quem ama cinema e trilhas daquela época, sabe bem o quão fértil e importante foi aquele período para o desenvolvimento de muita coisa conhecida hoje. Trent Reznor e Atticus Ross acabam homenageando os grandes compositores clássicos. E se não fosse por "Soul", aparentemente o arrasa-quarteirão da temporada de premiações, certamente "Mank" seria o grande favorito para levar o Oscar em Trilha Sonora.

Avaliação: ótimo

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