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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Resenha: trilha sonora de Soul


Quando a Disney/Pixar anunciou que a trilha sonora de Soul seria composta por Trent Reznor e Atticus Ross, confesso certa surpresa. A dupla, também por trás da atual formação do Nine Inch Nails, não parecia ter o perfil para compor os temas de um filme de uma parceria que já rendeu até Oscar. E quando Jon Batiste, líder da banda do programa 'Late Show with Stephen Colbert', foi confirmado como o nome para executar as músicas de jazz originais do longa, não entendi mais nada.

Afinal, como Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste se encaixariam na narrativa de "Soul", animação passada entre a Terra e a pré-existência da vida humana? E tudo isso acontece para contar a história de Joe Gardner, um amante do jazz que, pelas vias do destino, acaba virando professor de música. Quando surge a oportunidade de sua vida, ele morre. Então ele parte em uma aventura para voltar ao seu corpo terreno.

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Reznor e Ross não são novatos em trilhas sonoras -- até Oscar eles já venceram com "A Rede Social" (2010). O ponto é tentar entender como eles poderiam se adaptar ao perfil dos filmes da Pixar? Eles sempre são convidados a trabalhar em narrativas pesadas e cheias de drama, não em animações, principalmente pelo estilo musical da dupla. Já Batiste é um dos nomes recentes de destaque da cena de jazz de Nova Orleãs. Aos 34 anos, ele já é um músico extremamente respeitado entre seus pares e parte importante na renovação do gênero.

À medida que a narrativa avança, é possível ver e ouvir como o trabalho deles não só funciona muito bem como ainda é complementar um ao outro ao longo do filme. Batiste é o músico por trás de Joe e consegue mostrar toda sua habilidade em canções bonitas, enquanto Reznor e Ross ficaram com as partes musicais fora de Terra -- a pré-existência, o além-vida e outros lugares. A mão pesada reconhecível está ali, mas também há espaço para um sintetizador leve e sereno. Sabe a novela "A Viagem" (1994)? Se esses temas instrumentais fossem colocados de fundo no "Nosso Lar" -- no espiritismo, é o lugar onde os espíritos evoluem e aprendem lições de amor e paz --, não seria nenhum absurdo.

Exatamente como no filme, a trilha sonora original fica entre o jazz e essa música experimental, e isso tudo ajuda a dar o tom certo para o filme e sua lição principal sobre a vida. E é surpreendente como Reznor e Ross conseguiram se casar tão bem com Batiste sem nenhuma aresta. O equilíbrio é a chave do sucesso do trabalho, que pinta como forte candidato para ser indicado ao Oscar. Em um ano tão estranho como foi 2020 em vários aspectos, a trilha de "Soul" surge como algo surpreendente.

Avaliação: ótimo

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