Mais do blog:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Resenha: Jards Macalé - Besta Fera


Compositor retorna após 20 anos do último disco de inéditas

Os músicos e produtores Kiko Dinucci e Romulo Fróes ajudaram Elza Soares nos dois últimos discos de estúdio da cantora (aqui para ler a resenha de "A Mulher do Fim do Mundo" e aqui para ler a de "Deus é Mulher) e ajudaram a popularizar a cantora para uma nova geração de fãs. Por alguma força da natureza -- ou algo como o atual momento vivido no Brasil e no mundo --, eles conseguiram, com a cantora Juçara Marçal ao lado, convencer Jards Macalé a gravar um novo disco. "Besta Fera" é o primeiro trabalho só com canções inéditas em 20 anos e faz parte dos lançamentos anuais patrocinados pela Natura Musical.

O disco começa com "Vampiro de Copacabana" ao explorar o lado poético e experimental que Macalé mostrou durante toda carreira -- com um pequeno toque de samba ao fundo. É o tipo de letra que daria um filme de terror, pois é impossível não visualizar o que é dito. Se "Besta Fera" apresenta um desabafo pessoal misturado com crítica social, "Trevas" apresenta uma poesia em que é difícil não associar com o que vemos no noticiário -- claro, ela traz o lado experimental já conhecido.

Veja também:
Resenha: Girlpool - What Chaos Is Imaginary
Resenha: Weezer - Weezer (Teal Album)
Resenha: James Blake - Assume Form
Resenha: Julia Kent - Temporal
Resenha: Toro y Moi - Outer Peace
Resenha: Sharon Van Etten - Remind Me Tomorrow
Resenha: Pedro The Lion - Phoenix


Com participação de Tim Bernardes, "Buraco da Consolação" tem uma classe do bolero, gênero de bastante sucesso no Brasil nos anos 1950. Nessa faixa, acho que pela primeira vez na carreira, Bernardes não apresenta nada do feito nos discos solos ou em outras participações. Aqui, ele simplesmente se solta e canta. Mas é em "Pacto de Sangue" que Jards Macalé mostra o motivo de tanta admiração por parte das novas gerações de músicos. Essa faixa é simplesmente genial do início ao fim, uma mostra de toda inventividade que não abandona esse jovem de 75 anos -- e fiquei surpreso e feliz ao descobrir o cocrédito da composição a Capinam.

A acústica "Obstáculos" é outra bonita faixa sobre superar as pedras nesse caminho chamado vida, enquanto "Meu Amor Meu Cansaço" segue a linha do violão, mas apresenta uma pegada meio anos 1970 -- teria feito muito sucesso naquela época, além de ser muito melódica. E "Tempo e Contratempo" chama o pessoal para dançar em um samba bem animado, já em "Peixe" a bela voz de Juçara Marçal aparece para ajudar nessa letra bastante reflexiva.

O fim do disco encaminha com o samba de "Longo Caminho do Sol", a delicada e poética "Limite" (essa letra de Ava Rocha) e "Valor", uma letra simples e de tom autobiográfico.

Esse disco traz uma afirmação das mais pertinentes para o momento atual: o Jards Macalé dessa geração é o mesmo Jards Macalé de 40 anos atrás. Isso claramente é um problema, porque ninguém chegou perto dessa inventividade musical, desse frescor e dessa vontade em unir lados tão diversos em algo coeso e, ao mesmo tempo, tão único. "Besta Fera" tem muitas qualidades, mas o fundamental é saber que esse disco saiu em 2019. Era necessário.

Tracklist:

1 - "Vampiro de Copacabana"
2 - "Besta Fera"
3 - "Trevas"
4 - "Buraco da Consolação" (feat. Tim Bernardes)
5 - "Pacto de Sangue"
6 - "Obstáculos"
7 - "Meu Amor Meu Cansaço"
8 - "Tempo e Contratempo"
9 - "Peixe"
10 - "Longo Caminho do Sol"
11 - "Limite"
12 - "Valor"

Avaliação: excelente




Siga o blog no Twitter Twitter e no Facebook e assine o canal no YouTube. Compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!

Saiba como ajudar o blog a continuar existindo

Gostou do post? Compartilhe nas redes sociais e indique o blog aos amigos!

Continue no blog: