terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Resenha: Superchunk – What a Time to Be Alive


Banda faz um disco de protesto, o que é sempre bom

É difícil perceber como o tempo passa. Talvez as dores nas costas e uma imensa vontade de ficar deitado boa parte do dia sejam sinais, mas ainda não tenho muita certeza. No próximo ano, o Superchunk completa 30 anos de atividade mais na ativa do que nunca – o que significa que só gente que escreve sobre a banda tem dor nas costas? Jamais saberemos. What a Time to Be Alive é o 11º disco de estúdio deles, que não teria nome melhor para dar a um disco neste 2018.

A faixa-título abre o disco e mostra bem como eles não perderam o vigor juvenil do início da carreira ao (ainda) apostar firme na guitarra e em um refrão bem 'gritável' logo de cara. Forte, ela cairá como uma luva para os saudosistas. E a seguinte, "Lost My Brain", mostra como a influência do punk ainda segue viva – e como!

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"Break the Glass" surge para mostrar como o Superchuk consegue acelerar e desacelerar na hora certa da música, transformando-a em outro petardo de ótima melodia, enquanto "Bad Choices" é bem mais lenta, mas bem forte para passar seu recado (I got a lifetime of shit decisions/ I might never learn from them/ But all your bad choices/ Are gonna cause suffering, yeah).

Toda sujeira de uma boa guitarra aparece em "Dead Photographers", em que a ponte instrumental entre o segundo verso e o refrão é uma curta aula de bom uso do instrumento, e "Erasure" apresentou outro bom uso de uma boa melodia para apresentar um refrão bem grudento mais uma vez. E a fúria aparece mais uma vez em "I Got Cut", a mais clara faixa de protesto do álbum.


Com três décadas de estrada e passando dos 40 anos, os membros do Superchunk tem todo direito em cantar uma faixa chamada "Reagan Youth" – como a vida era muito diferente nos anos 1980, não? O reflexo dos dias atuais aparece na agitada "Cloud of Hate", na chamada para lutar traduzida em "All for You" e na melancólica "Black Thread", que encerra o álbum.

O disco espetacular do Superchunk mostra que é possível fazer música de protesto e ser uma banda de rock ao mesmo tempo, mas é preocupante que só eles estejam fazendo isso abertamente. Atualmente, só vemos protestos vindos do rap, não do rock. O disco vai ficando mais pesado à medida em que os minutos passam, mostrando que é um trabalho de maturação até chegar nos pontos principais do atual momento político nos Estados Unidos. Que tempos para se estar vivo é uma bela frase para resumir os loucos tempos em que vivemos.

Tracklist:

1 - "What a Time to Be Alive"
2 - "Lost My Brain"
3 - "Break the Glass"
4 - "Bad Choices"
5 - "Dead Photographers"
6 - "Erasure"
7 - "I Got Cut"
8 - "Reagan Youth"
9 - "Cloud of Hate"
10 - "All for You"
11 - "Black Thread"

Avaliação: ótimo



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