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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Resenha: Mark Lanegan Band – Gargoyle


Cantor está em ótima fase na carreira solo

Mark Lanegan foi um dos expoentes da cena da música alternativa entre o fim dos anos 1980 e 1990 ao ser um dos fundadores do Screaming Trees. Após o fim das atividades da banda, Lanegan dedicou-se mais a carreira solo, que estava em paralelo com seu antigo grupo. De uns tempos para cá, mais pessoas têm descoberto as incríveis voz e composições dele. Tanto é que, em cinco anos, Gargolye é o quarto álbum de uma sequência de lançamentos que começa em 2012, com o ótimo Blues Funeral, e segue com Imitations (2013) e Phantom Radio (2014).

É incrível como a voz de Mark Lanegan consegue chamar muito a atenção, assim como acontecia com Leonard Cohen e acontece com Tom Waits e Nick Cave. Em comum, esses quatro conseguem cantar de maneira grave, mas, ao mesmo tempo, é muito suave e delicada a maneira de transmitir a mensagem. É o caso de "Death's Head Tattoo", uma faixa pesada sobre vida, morte e o diabo – o refrão é espetacular (And if I cry for you baby/ Your death's head tattoo made me/ Pray for the last one standing/ Holding a loaded gun/ I can see her there under the golden sun).

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A soturnidade é mantida em "Nocturne" e em "Blue Blue Sea". A primeira está na linha de algumas faixas dos trabalhos anteriores; a segunda tem letra e melodia na linha gospel, mas o clima é pesado e é como se o primeiro segundo disco do Black Sabbath tivesse encontrado um sintetizador no caminho e casado com ele. Dentro do que já fez na música, é possível dizer que Lanegan usa elementos simples na poética "Beehive", quando usa de metáforas para falar sobre a vida.

"Sister" traz uma suavidade melódica das mais bonitas, e isso ajuda a destacar a voz rouca de Lanegan acompanhada pelo vocal de apoio, e "Emperor" é exatamente o oposto por ser mais animada e irônica – quase lembrando um tipo de música de festa cigana. Mas a mais bonita de todo álbum é "Goodbye to Beauty". A delicadeza do arranjo combinada com a melancólica letra são bons motivos para fazer qualquer um chorar – eu mesmo fiquei com lágrimas nos olhos ao ouvi-la todas as vezes.

A forte "Drunk on Destruction" coloca a guitarra como carro-chefe da pesada faixa, enquanto "First Day of Winter" é das canções mais tristes que Mark Lanegan já cantou ao longo de mais de 30 anos de carreira. "Old Swan" encerra o disco pedindo a Deus, apesar de ser um pecador, para salvar a alma daquela que ele ama. No fim, ele também acaba sendo salvo por justamente pensar mais no próximo do que nele mesmo.

O estilo do trabalho do produtor Alain Johannes, também colaborador do Queens of the Stone Age e membro do Them Crooked Vultures, é ser muito melódico e explorar ao máximo instrumentos não convencionais. Ao trabalhar ao lado do amigo Mark Lanegan, ele conseguiu isso e muito mais, porque as composições de Lanegan abrem espaço para isso. E, cada vez melhor, o vocalista mostra que o momento como músico e compositor está em um estágio dos mais especiais.

Tracklist:

1 - "Death's Head Tattoo"
2 - "Nocturne"
3 - "Blue Blue Sea"
4 - "Beehive"
5 - "Sister"
6 - "Emperor"
7 - "Goodbye to Beauty"
8 - "Drunk on Destruction"
9 - "First Day of Winter"
10 - "Old Swan"

Nota: 4,5/5



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