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terça-feira, 7 de março de 2017

Resenha: Omar Sosa & Seckou Keita – Transparent Water


Dupla convidou músicos de diversas partes do planeta para colaborar

O cubano Omar Sosa é pianista, toca jazz e suas variações e é muito envolvido na comunidade da parte latina do gênero desde o início da carreira. Seckou Keita é senegalês, especialista na kora, um instrumento de cordas típico da região onde mora, e vem de uma tribo com tradição em artistas de todo tipo desde o século 14. Juntos, eles misturaram suas vidas, aprendizados e música em Transparent Water – o primeiro álbum dessa parceria.

Logo na primeira canção, além da dupla, temos a participação do percussionista venezuelano Gustavo Ovalles em "Dary". Instrumental, a faixa é de uma suavidade e de uma beleza incríveis. Dá vontade de ficar ouvindo por horas. A seguinte, "In the Forest", tem mais um jeitão de jazz com umas aparições bem pontuais de outros instrumentos ao longo da faixa.

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O japonês Mieko Miyazaki, especialista no instrumento de corda koto, e o chinês Wu Tong, mestre no sheng, ajudam a criar o clima espetacular em "Black Dream". Primeiro, essa faixa é uma aula de música instrumental; segundo, é incrível como quatro pessoas de partes completamente diferentes do mundo conseguem fazer uma canção usando instrumentos não-convencionais e dá certo. Ovalles retorna na simples "Mining-Nah", mais uma em que os três conseguem unir forças sem atropelar um ao outro.

Em uma das poucas canções em que há algum tipo de vocal, "Tama-Tama" tem a participação do músico Mosin Khan Kawa – ele toca tabla como poucos. Essa, diferente das outras, é mais agitada e até mais dançante. A suavidade retorna em "Another Prayer", que contou com os retornos de Tong e Miyazaki em seus respectivos instrumentos. E "Fatiliku" tem Omar Sosa e Seckou Keita juntos mais uma vez, com a diferença de ser algo mais dançante e animado ao misturar a música latina com a africana.

A delicadeza do uso do sheng aparece com mais clareza na ótima "Oni Yalorde", em que Tong consegue brilhar nos momentos em que tem a oportunidade de aparecer, enquanto "Peace Keeping" tem a participação de Ovalles e do sul-coreano E'Joung-Ju – ele toca geomungo, um típico instrumento de cordas da Coreia do Sul. A mistura continua na parte final do disco, com "Moro Yeye" (Tong e Ovalles), "Recaredo 1993" (Tong e Miyazaki), "Zululand" (apenas Ovalles) e "Thiossane" (apenas Miyazaki).

É o disco mais cheio de multiculturalismo que ouvi neste ano. Tem todo tipo de instrumento dos mais variados países e, em tempos tão estranhos como os nossos, é muito bom ver esse tipo de união entre músicos em prol de algo tão maravilhoso que é a música. Cada um cumprindo seu papel, temos um trabalho muito acima da média por aqui. E tudo capitaneado pela ótima dupla Omar Sosa e Seckou Keita.

Tracklist:

1 - "Dary" (feat. Gustavo Ovalles)
2 - "In the Forest"
3 - "Black Dream" (feat. Mieko Miyazaki & Wu Tong)
4 - "Mining-Nah" (feat. Gustavo Ovalles)
5 - "Tama-Tama" (feat. Mosin Khan Kawa)
6 - "Another Prayer" (feat. Wu Tong & Mieko Miyazaki)
7 - "Fatiliku"
8 - "Oni Yalorde" (feat. Wu Tong)
9 - "Peace Keeping" (feat. Gustavo Ovalles & E'Joung-Ju)
10 - "Moro Yeye" (feat. Wu Tong & Gustavo Ovalles)
11 - "Recaredo 1993" (feat. Wu Tong & Mieko Miyazaki)
12 - "Zululand" (feat. Gustavo Ovalles)
13 - "Thiossane" (feat. Mieko Miyazaki)

Nota: 4/5



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