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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Resenha: Ryan Adams – Prisoner


É o primeiro trabalho de inéditas desde 2014

Muito inspirado nos últimos anos, Ryan Adams, para nosso prazer, não cansa de trabalhar. Com o lançamento de Prisoner na última semana, são seis discos lançados em sete anos – uma marca formidável. Se no trabalho anterior houve a opção em fazer um disco cover de 1989 (2015), de Taylor Swift, agora ele retorna com um registro de inéditas – o primeiro desde o ruim Ryan Adams (2014).

Começar o disco com uma faixa forte como é o caso de "Do You Still Love Me?" Coloca uma expectativa muito alta no restante do álbum. De arranjo ótimo, ela mostra como Adams consegue acertar na mosca quando quer. E também o aponta como um dos bons compositores de sua geração, comprovado na faixa título do trabalho. Acústica e melancólica, é cara do compositor.

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Versos do calibre de Can you stand and face your fears, my love?/ I will for you/ I could stand in just one place, my love/ And never move chamam a atenção em "Doomsday", outra boa do trabalho. Bem simples, as palavras impactam bastante quando saem da boca de Adams, que não economizou em instrumentos para deixá-la no tom certo. "Haunted House" e "Shiver and Shake" conseguem manter o ritmo disco, apesar de inferiores às outras.

Adams é desses cantores em que as letras merecem ser ouvidas, porque, quando ele acerta, é para aplaudir de pé. Por exemplo, em "To Be Without You", ele começa dizendo It's so hard to be without you/ Lying in the bed, you are so much to be without/ Rattles in my head that empty drum filled with doubt/ Everything you lose, the wisdom will find its way out/ Every night is lonesome and is longer than before/ Nothing really matters anymore e... Uau. É difícil alguém ser tão preciso sobre sentimentos e, ao mesmo tempo, tão claro e direto.

"Anything I Say to You Now" funciona bem em não derrubar o ritmo do álbum, enquanto "Breakdown" e "Outbound Train" são muito melancólicas e, emocionalmente, mais pesadas do que as anteriores. Duas pancadas seguidas para quem não está bem – não recomendo ouvir se você estiver na famosa 'bad'. O trio final de canções, "Broken Anyway", "Tightrope" e "We Disappear" são boas o suficiente para se prestar atenção nelas.

Ao fazer muito com pouco, Ryan Adams é um bom exemplo de como a simplicidade pode render um bom álbum. Melancólico do primeiro ao último momento, este novo trabalho em estúdio é um dos bons discos deste início de ano.

Tracklist:

1 - "Do You Still Love Me?" (Ryan Adams/Daniel Clarke)
2 - "Prisoner" (Adams/Mike Viola)
3 - "Doomsday"
4 - "Haunted House"
5 - "Shiver and Shake"
6 - "To Be Without You"
7 - "Anything I Say to You Now"
8 - "Breakdown"
9 - "Outbound Train"
10 - "Broken Anyway"
11 - "Tightrope"
12 - "We Disappear"

Nota: 4/5



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