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terça-feira, 14 de março de 2017

Resenha: Laura Marling – Semper Femina


Novo disco da cantora foi lançado recentemente

Laura Marling já foi uma dessas modelos esqueléticas de famosas marcas de roupa, mas, segundo ela mesma disse em entrevista recente ao site do jornal birânico 'The Guardian', ela estava emocionalmente destruída pela dura rotina. Mesmo mudando para o que gosta – fazer música – a rotina ainda era estafante. Ela tirou uma pausa e, muito mais do que uma renovação, acrescentou mais uma coisa em seu currículo: professora de yoga.

Semper Femina é o sexto disco de estúdio de alguém que sofreu uma mudança profunda e está ainda mais sincera em suas letras. Ela mostra isso na primeira faixa do novo trabalho. "Soothing" tem um andamento leve, mas de temática muito pesada. O arranjo do refrão é dos mais bonitos, já para mostrar que ela, aos 27 anos, está em outra fase da vida. A seguinte, "The Valley", tem uma letra de tom melancólico e clima sereno, em que o amor é o ponto momentos iluminados e tristes.

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De pegada mais pop e ainda mantendo a leveza em um estilo Lou Reed de vocal, "Wild Fire" tem um refrão fácil de decorar e uma parte instrumental muito boa para assobiar por aí. Temos aqui uma pena aula de como fazer uma música grudenta, já a triste "Don't Pass Me By" é aquele tipo de canção-desabafo que suplica por amor ao relembrar fatos do passado. Uma pedrada sentimental certeira.

"Always This Way" usa uma estrutura parecida com a maioria das faixas do álbum, tem um verso sensacional (It's too soon to say/ "Was I always this way?"/ Well at the end of the day/ My debts have been paid) e uma bonita parte instrumental no fim, quase que emendando com a misteriosa "Wild Once" – de mais um verso ótimo (It's hard if you can't change it/ It's worse if you don't try/ You will sit down to explain it/ And you're constantly asking why/ You are constantly asking why).

Pouco conseguem traduzir uma relação entre pessoas em letras de música simples, e Marling faz isso bem em "Next Time". Outra de arranjo muito bom, ela consegue colocar em palavras como as coisas não são simples em uma relação de mão dupla. Muito provavelmente não será nem citada por aí, mas "Nouel" é uma das melhores canções lançadas nestes primeiros meses do ano. Simples em tudo, ganha o ouvinte na sinceridade e na forma como expõe um relacionamento entre duas mulheres. E "Nothing, Not Nearly" é aquele último momento antes da despedida, transformando a faixa no encerramento ideal.

Mais relaxada e mais disposta em contar uma boa história, Laura Marling faz um trabalho muito bom em todos os aspectos do álbum. É um disco simples, de bons arranjos, letras diretas e, o principal, tem uma cantora muito bem em sua nova vida. E tudo isso é refletido no trabalho recém-lançado.

Tracklist:

1 - "Soothing"
2 - "The Valley"
3 - "Wild Fire"
4 - "Don't Pass Me By"
5 - "Always This Way"
6 - "Wild Once"
7 - "Next Time"
8 - "Nouel"
9 - "Nothing, Not Nearly"

Nota: 3,5/5



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