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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Resenha: M.I.A. - AIM


Cantora afirmou ser esse o último álbum de sua carreira

Dessas rappers que surgiram ali no começo dos anos 2000, é difícil encontrar uma que tenha evoluído tanto artisticamente como M.I.A. Matangi, de 2013, então último álbum, é a prova de como ela conseguiu se destacar em um oásis de mesmice e de mudanças de sonoridade para tentar abranger ainda mais seu público. Vendido como suposto último trabalho – só acredito vendo –, AIM é o quinto registro dela em estúdio.

A já conhecida "Borders" abre o trabalho. Ao tratar da crise dos refugiados logo de cara, M.I.A dá um recado claro aos fãs e críticos: vem um trabalho de teor bem político, não apenas abordando o tema principal da faixa. Mas também mostra como ela conseguiu incorporar elementos da world music em seu sólido hip-hop. Indo para uma mistura de ritmos do Oriente Médio e hip-hop, "Go Off" fala das relações humanas no meio de todos esses acontecimentos.

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"Bird Song" traz um jogo de palavras para falar dos seres humanos, e isos tudo é embalado por um ritmo bem estranho, mas divertido. Ainda mais experimental, "Jump In" toca no ponto dos refugiados mais uma vez. E até faz o ouvinte refletir sobre o assunto, apesar de ser uma faixa de difícil assimilação no início. Depois da primeira, "Freedun" é a que mais chama a atenção. Primeiro pela batida inspirada nos ritmos tradicionais africanos; segundo por ter um ar pop – a participação de Zayn Malik deixa isso mais claro.

Se "Foreign Friend" toca no delicado tema dos refugiados mais uma vez, "Finally" coloca M.I.A falando um pouco de si e como ela segue em frente apesar de todas as críticas que sofre dos 'haters'. Com ajuda do produtor brasileiro Leo Justi, "A.M.P (All My People)" tem uma mistura de música indiana e eletrônica das mais inusitadas e interessantes neste álbum. E esse movimento continua em "Ali R U OK?", ainda mais repleta de elementos indianos.

"Visa" e "Fly Pirate" não empolgam tanto como as anteriores, mas conseguem sustentar o ouvinte. Amarrando o conteúdo, "Survivor" é a canção ideal para fechar o trabalho, momento em que a cantora questiona e abre espaço para mais debates sobre a crise que vivemos nos tempos atuais.

Certamente, não é o disco mais pop de M.I.A, mas é o trabalho mais cheio de influências de outros cenários da música mundial. Até por isso, é interessante observar o desenvolvimento das letras ao longo de quase 40 minutos de audição, esmo com a dificuldade de assimilação inicial – em parte por escolhas de batidas difíceis e experimentais. Um registro ouvir e refletir logo após.

Tracklist:

1 - "Borders"
2 - "Go Off"
3 - "Bird Song" (Blaqstarr version)
4 - "Jump In"
5 - "Freedun" (featuring Zayn)
6 - "Foreign Friend" (featuring Dexta Daps)
7 - "Finally"
8 - "A.M.P (All My People)"
9 - "Ali R U OK?"
10 - "Visa"
11 - "Fly Pirate"
12 - "Survivor"

Nota: 3,5/5



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