No YouTube

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Resenha: John Scofield – Past Present


Por Gabriel Carvalho 

John Scofield é daqueles guitarristas cujo timbre e estilo se reconhece de longe. Dono de técnica afinada e 'feeling' inquestionável, o músico trabalhou com grandes nomes do jazz, como Chet Baker, Pat Metheny, Charles Mingus e Miles Davis, entre outros. Desde o final da década de 1970, quando lançou o primeiro disco, Scofield tem se mantido bastante ativo, gravando discos em diversos projetos e como artista solo.

A última empreitada ‘solo’ do guitarrista havia sido o excelente Überjam Deux, de 2013, cuja turnê passou pelo Brasil no ano passado. Em 2014, o guitarrista esteve em mais um disco do quarteto Medeski Scofield Martin & Wood, o bom Juice. Aos 63 anos, Scofield não para de criar e acaba de revelar ao mundo Past Present. Com o apoio de Joe Lovano no sax, Larry Grenadier no contrabaixo e Bill Stewart na bateria, o guitarrista apresenta nove composições inéditas.

Engana-se quem imagina que, por levar apenas o nome de Scofield na capa, este é um disco no qual o guitarrista domina completamente as ações. Lovano, Grenadier e Stewart brilham em vários momentos do registro. As canções, calcadas no jazz mais tradicional, são tocadas em clima de jam e o entrosamento entre os músicos é evidente desde a primeira faixa, a boa “Slinky – na qual já se nota logo de início o som único que Scofield tira da guitarra.

“Chap Dance” é de melodia alegre e tem um pé e meio no bebop; “Hangover” reduz o ritmo e é quase um smooth jazz, com uma progressão de acordes bastante interessante – os solos de Grenadier e Scofield (este, com um fraseado de dar gosto) são os destaques da faixa. “Museum” abre com um riff do guitarrista e segue a estrutura jazzística tradicional – a atenção aqui, vai para o trabalho de Stewart com as baquetas.

“Season Creep” é mais uma ‘balada’ em que os fraseados de Scofield, mesmo quando servindo de base para Lovano, brilham. “Get Proud” tem uma guitarra mais suingada, outra marca registrada do músico, e a faixa tem um quê – bem leve – de bossa nova. “Enjoy the Future!”, um dos grandes momentos do disco, é a faixa que representa melhor o entrosamento entre os músicos, o brilhantismo (e ausência de egocentrismo) de Scofield e o clima de jam.

“Mr. Puffy” mostra porque Scofield foi escolhido por Miles Davis e esteve com o lendário músico por três anos – as dinâmicas, a forma como os instrumentos são tocados, tudo flui naturalmente, sem sobressaltos. A faixa-título encerra o registro com o contrabaixo de Grenadier comandando as ações no início e servindo de base para o bebop levemente funkeado que vem em seguida, protagonizado por Scofield e Lovano.

“Past Present” é mais um bom trabalho do incansável Scofield, cuja criatividade o ‘obriga’ a lançar discos com certa frequência. Bom para os fãs do guitarrista (e de música, por que não), que são presenteados com material novo constantemente.

Tracklist:

1 – “Slinky”
2 – “Chap Dance”
3 – “Hangover”
4 – “Museum”
5 – “Season Creep”
6 – “Get Proud”
7 – “Enjoy The Future!”
8 – “Mr. Puffy”
9 – “Past Present”

Nota: 3,5/5



Veja também:
Resenha: Black Alien – No Princípio Era o Verbo - Babylon by Gus, Vol. II
Resenha: Aldo, The Band – Giant Flea
Resenha: Prince – Hit N Run Phase One
Resenha: Eagles of Death Metal – Zipper Down
Resenha: Jimi Tenor & UMO – Mysterium Magnum
Resenha: New Order – Music Complete
Resenha: Daby Touré – Amonafi

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.