No YouTube

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Resenha: New Order – Music Complete


Ao longo de quase 40 anos de existência, o New Order deu uma lição ao mundo: como sobreviver virando outra banda. Então Joy Division, o grupo perdeu Ian Curtis em maio de 1980. A mudança de sonoridade estava por vir, mas só ganhou força em Movement (1981) e se consolidou em Power, Corruption & Lies (1983). Era a mudança do pós-punk ao eletrônico, que mudaria a vida de todos eles e dos anos 1980.

A missão de Music Complete é, talvez, mostrar ao mundo que é possível sobreviver sem Peter Hook, uma das forças criativas do grupo. Bernard Sumner começa o disco com a grudenta "Restless" – menos eletrônica e mais baseada no conceito de banda (guitarra, baixo, bateria e teclado). Mais futurística (essa expressão ainda existe?), "Singularity" é pura anos 1980, incluindo a bateria eletrônica e todos os efeitos que vêm juntos.

Com quase sete minutos, "Plastic" foi feita para as pistas, atuais ou do passado. É de se impressionar a qualidade dessa faixa, principalmente por não soar batida ou um poperô de quinta categoria, enquanto "Tutti Frutti", com participação da La Roux nos vocais de apoio, é bem mais ou menos e, provavelmente, feita para atrair alguns jovens. E o mesmo aconteceu na semelhante "People on the High Line", só que essa funcionou, principalmente quando embala na segunda metade em diante graças ao bom trabalho na batida.

A sinistra "Stray Dog" ganhou a ótima participação de Iggy Pop nos vocais, dando um tom sombrio, quase de história de terror, à música. O baladão "Academic", dessas de refrão épico e guitarras e teclado em alto volume, chega para recolocar o New Order como verdadeiro dono do álbum, já "Nothing but a Fool" tem chance de sobreviver nas apresentações por vários anos porque é boa, bonita e serve para aquele momento épico de encerramento antes do bis.

De longe, "Unlearn This Hatred" é a mais chamativa, pelo andamento e por sua força enquanto balada, mostrando que o New Order realmente deseja entrar no mundo das casas noturnas atuais. Sobre as duas últimas, "The Game" realmente parece música de algum jogo de videogame dos anos 1990 – Sonic, por exemplo – e "Superheated" parece ter sido feita para fechar o trabalho.

Music Complete está longe dos melhores momentos do New Order, por isso é possível questionar até que ponto Hook faz falta. Mas, indo um pouco mais além, é uma tentativa de renovação no som, sempre válida. No fim, o disco tem seus defeitos, mas, de maneira geral, é bom e tem potencial para agradar até aquele fã mais xiita.

Tracklist:

1 - "Restless"
2 - "Singularity" (New Order e Tom Rowlands)
3 - "Plastic"
4 - "Tutti Frutti"
5 - "People on the High Line"
6 - "Stray Dog"
7 - "Academic"
8 - "Nothing but a Fool"
9 - "Unlearn This Hatred" (New Order e Tom Rowlands)
10 - "The Game"
11 - "Superheated" (New Order e Brandon Flowers)

Nota: 3/5



Veja também:
Resenha: Daby Touré – Amonafi
Resenha: Kurt Vile – B’lieve I’m Goin Down...
Resenha: Yo La Tengo – Stuff Like That There
Resenha: a-ha – Cast In Steel
Resenha: Ryan Adams – 1989
Resenha: Chris Cornell – Higher Truth
Resenha: Lana Del Rey – Honeymoon

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.