No YouTube

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Resenha: Bárbara Eugenia – Frou Frou


Bárbara Eugenia é uma das muitas boas cantoras brasileiras surgidas nos últimos anos. E ela conseguiu se seguir independente para fazer o que desejar – artisticamente falando. Sucessor do bom É o que Temos, Frou Frou é o quarto disco de estúdio da cantora, que lançou seu primeiro trabalho em 2010 chamado Journal de BAD.

O novo disco abre com a pesada “Besta”. Pesada no sentido de uma decepção amorosa ser o mote principal da faixa, recheada de coros, acelerada no meio, delicada na parte final, Bárbara Eugenia declama ‘eu bem que sabia que isso era uma cilada/eu tinha certeza, mas adoro uma roubada’. Aí entra a famosa pergunta: quem nunca, não é mesmo? Começar o disco, com algo identificável por qualquer pessoa, é sempre bom, interessante e bem seguro.

Soando continuação da anterior, “Vou Ficar Maluca” é aquela que vem para ser a libertação do personagem da história/disco/conto. Cansada, ela resolve largar o sofrimento. No caso, em uma letra bem fácil, dançante e animada. E na sequência, “Pra Te Atazanar” é a parte da vingança por parte da mulher abandonada – de novo, quem nunca? – que tem imenso potencial para colocar o pessoal para pular nos show por conta do refrão empolgante.

“Ai, Doeu” é delicada e profunda, mesmo exaltando um clichê (tudo passa/tudo passará). Entre as primeiras canções, de longe, é a mais trabalhada, a mais intimista e uma longa parte instrumental dedicada apenas ao órgão. De Fernando Catatau e originalmente feita para ser uma das muitas tocadas e gravadas pelo Cidadão Instigado, “Recomeçar” ganhou vida na voz de Bárbara Eugênia e, inevitavelmente, uma roupagem menos bruta e mais suave. Em resumo: ficou linda, a melhor do álbum.

O interlúdio psicodélico “Para Curar o Coração” abre para a bonita “Ouvi Dizer”, abrilhantada pela participação de Peri Pane nos vocais de apoio, e a balada “Cama”, de Tatá Aeroplano, tem força nos vocais de apoio, pegada bem pop e é simples, mas cumpre bem seu papel dentro da engrenagem da temática do álbum. Mais dançante desse registro, “Dopganger Love” pode até ser animada, porém ficou muito deslocada e passou a impressão é que ela não deveria estar ali.

O ritmo é retomado na boa “Tudo Aqui”, um desabafo que caberia a qualquer um de nós depois de alguma decepção – o fato de ser mais pesada na melodia só deu mais força à letra. E “Só Quero Seu Amor” é outra na categoria simples e competente, já “Baby”, mais uma em inglês, tem uma ótima parte instrumental, que é o mote de “Frou Frou”, a faixa final.

Assim como o disco anterior, Frou Frou mostra Bárbara Eugenia bem nos quesitos canto e composições, e ainda a coloca em ótima companhia em vários momentos. Tem um deslize aqui e ali, mas, no geral, o resultado é ótimo e inspirador para seguir de olho nessa moça de ótimo potencial para muito mais em sua carreira.

Tracklist:

1 – “Besta”
2 – “Vou Ficar Maluca”
3 – “Pra Te Atazanar”
4 – “Ai, Doeu”
5 – “Recomeçar”
6 – “Para Curar o Coração”
7 – “Ouvi Dizer”
8 – “Cama”
9 – “Dopganger Love”
10 – “Tudo Aqui”
11 – “Só Quero Seu Amor”
12 – “Baby”
13 – “Frou Frou”

Nota: 3,5/5



Veja também:
Resenha: John Scofield – Past Present
Resenha: Black Alien – No Princípio Era o Verbo - Babylon by Gus, Vol. II
Resenha: Aldo, The Band – Giant Flea
Resenha: Prince – Hit N Run Phase One
Resenha: Eagles of Death Metal – Zipper Down
Resenha: Jimi Tenor & UMO – Mysterium Magnum
Resenha: New Order – Music Complete

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.