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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Resenha: BNegão e Seletores de Frequência – Transmutação


Quando uma banda se desfaz, é natural que muitos dos integrantes sigam em carreiras solos ou montem novas bandas. Pois o Planet Hemp acabou e gerou dois ótimos cantores: Marcelo D2 e BNegão. O primeiro, em busca da batida perfeita ao estudar o samba, fez bons discos e um dos melhores Acústicos MTV da história da finada emissora. O segundo, mais hip-hop e mantendo sua velocidade vocal habitual, também conseguiu fazer trabalhos e parcerias bem interessantes.

Com apoio da Natura Musical, via patrocínio do edital nacional de 2014, BNegão & Seletores de Frequência lançaram no final de agosto Transmutação, terceiro trabalho de estúdio da banda. Primeira faixa, "Àgò" traz muito a umbanda e do candomblé logo de cara, expondo toda uma religiosidade com forte influência da Bahia, onde essas duas religiões têm seus lugares cativos. Essa influência toda é mostrada e explorada em "Dias da Serpente". Cheia de tambores, é, praticamente, um culto e tem um BNegão mais falando do que cantando.

Mais funkeada, algo bem anos 1970, "No Momento (100%)" o vocal é bem claro, enquanto a melodia é recheada por um saxofone e, em todos os momentos, por um baixo dando o ritmo – a parte instrumental, nos segundos finais, é primorosa. Mantendo a linha da anterior, "Mundo Tela" transita bem entre o hip-hop e o R&B (ela tem uns momentos só para guitarra bem maneiros).

A instrumental "Surfin’ Astatke" mistura religião e surf music na mesma batida, e eles conseguiram criar uma faixa bem dançante e cheia de suingue. Depois dela, vem dois sambas, sendo um inédito ("No Amanhecer") e um cover (a famosa "Fita Amarela", gravada e regravada por uma centena de músicos e cantoras). Aqui, vemos um BNegrão flertando com samba, algo que mostra as raízes dele. E que ele não faz feio quando se mete a cantar um clássico.

Curta, "Um Tema Para Iemanjá" serve para introduzir "No Ar (Convocação)", essa mesclando mais eletrônico com ritmos afro-brasileiros. Uma mistura que deu muito certo, diga-se, ainda mais quando a suavidade do sax toma conta. Misturando tudo que foi feito até aqui, "Giratoria (Sua Direção)" poderia ser menos futurista e chamar mais atenção, mas ainda desce bem. O grupo fecha o álbum na ótima "Nós (Ponto de Mutação)", que cita vários grandes nomes da religião e da música mundial. É um bom encerramento, tendo em vista que o disco tem essa temática.

No geral, é um trabalho interessante e bem fora da curva do que nos acostumamos a ouvir de BNegão por aí. Talvez seja seu disco mais etéreo e fora da curva – instrumentos leves, canções de boa levada e letras pensantes. Um álbum para ser digerido com calma e paciência.

Tracklist:

1 - "Àgò"
2 - "Dias da Serpente"
3 - "No Momento (100%)"
4 - "Mundo Tela"
5 - "Surfin’ Astatke"
6 - "No Amanhecer"
7 - "Fita Amarela"
8 - "Um Tema Para Iemanjá"
9 - "No Ar (Convocação)"
10 - "Giratória (Sua Direção)"
11 - "Nós (Ponto de Mutação)"

Nota: 4/5

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