sábado, 12 de setembro de 2015

Resenha: Michael McNeill Trio - Flight


Por Gabriel Carvalho 

O Michael McNeill Trio, liderado pelo pianista Michael McNeill, músico da cidade de Buffalo, no estado de Nova York, conta também com o baixista Ken Filiano e com o baterista Phil Haynes. Em 2011, o grupo lançou o excelente Passageways, disco de estreia e único registro do trio até então.

Eis que 2015 se aproxima do fim e o grupo reaparece com um novo trabalho, intitulado Flight. Como McNeill tem formação erudita, a faixa que abre o disco, “Prelude: Placid/Ruffled” não causa surpresa: um momento solo de piano, com clima bastante intimista. Mas não se engane, o jazz logo dá as caras em “Za”: é então que o ouvinte percebe a fluidez e o entrosamento do trio. O vigoroso baixo de Filiano conduz com extrema competência o andamento da canção, enquanto a bateria de Haynes é tocada com suavidade e técnica apurada.

Em “Skies”, que volta para a música clássica, o grande destaque é a performance de Filiano, que utiliza um arco nesta faixa e gera um efeito muito interessante. “No Dice” é um jazz de métricas complexas – perceptíveis especialmente na atuação de Haynes – e variações de andamento. “Picture Window” mantém o jazz em alta no disco, mas aqui o clima de intimismo transborda - Filiano, mais uma vez, domina as ações. “Land” segue a mesma linha da faixa de abertura até quase o terceiro terço da faixa, quando Haynes e Filiano intervêm, tirando sons inusitados de bateria e baixo.

As três músicas seguintes formam a “Wild Geese Suite”: “Cloudburst” abre a suíte com sons experimentais que lembram a antecessora, cobertos pelo piano de McNeill e mais efeitos e leves distorções, até que se transforma em um jazz com toques modernos. “Placid/Ruffled” é vista em plenitude aqui: com a adição de toques suaves de bateria e baixo, o resultado é um som relaxante – é a faixa em que música clássica e jazz se fundem de maneira mais profunda. “Follow Our Sun” encerra a suíte com um pouco mais de suingue e traz a melhor performance do trio no disco.

Por fim, “In That Number” volta mais para um jazz mais tradicional, sem experimentações ou métricas complexas, comprovando que o básico pode funcionar bem, dependendo da situação. A melodia agrada e a performance de McNeill é o destaque, ainda que o trabalho de ‘background’ feito por Haynes e Filiano seja muito bom.

Flight passeia pelo clássico e pelo moderno com fluidez e quase atinge os níveis de seu predecessor, comprovando que o Michael McNeill Trio tem muito a oferecer não só para o jazz ou para a música erudita, mas para a música como um todo.

Tracklist:

1 – “Prelude: Placid/Ruffled”
2 – “Za”
3 – “Skies”
4 – “No Dice”
5 – “Picture Window”
6 – “Land”
7 – “Cloudburst”
8 – “Placid/Ruffled”
9 – “Follow Our Sun”
10 – “In That Number”

Nota: 4/5

Veja também:
Resenha: James Taylor – Before This World
Resenha: BIKE – 1943
Resenha: Public Image Ltd. – What the World Needs Now
Resenha: Foals – What Went Down
Resenha: Eric Marienthal & Chuck Loeb – Bridges
Resenha: Ghost – Meliora
Resenha: Miley Cyrus – Miley Cyrus and Her Dead Petz

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.