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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Resenha: Mitchel Forman Trio - Puzzle




Mitchel Forman, pianista nascido no Brooklyn e que hoje vive no sul da Califórnia, tem 59 anos. A carreira de Forman tem várias facetas: álbuns solo, em grupo e colaborações para grandes nomes do jazz, como Pat Metheny, Bill Evans, Wayne Shorter e John Scofield. O Mitchel Forman Trio, alvo desta resenha, tinha apenas um disco lançado até então – Patience, que saiu em 2000.

Quinze anos depois, com Kevin Axt no baixo e Steve Hass na bateria – formação diferente da do disco de estreia, que tinha Dave Carpenter no baixo e Joel Taylor comandando as baquetas – o trio liderado pelo pianista coloca nas prateleiras Puzzle, segundo disco do grupo.

Das 12 faixas, cinco são versões de composições de outros artistas – como o medley que abre o registro, uma combinação de “Death and The Flower”, de Keith Jarrett, com “What is This Thing Called Love”, de Cole Porter. A combinação das duas canções traz trechos de jazz bem tranquilos e outros bastante acelerados, bem ao estilo do bebop, mesclado com quebras de ritmo. A execução é fluida e se o ouvinte não conhece as canções nem desconfiará de que se trata de um medley. A atuação de Hass é um caso a parte – como o leitor vai descobrir ao longo da audição.

O artista da vez na faixa seguinte é Burt Bachrach, com a canção “Alfie” – aqui, em uma versão instrumental. Forman não modifica significativamente o andamento e nem os arranjos da balada, apenas dando o próprio toque no piano. “Passing Smile” tem um quê suave de fusion, com um groove agradável – o começo da segunda metade da canção é extremamente complexo em suas métricas. A faixa-título é uma balada protagonizada novamente pelo piano de Forman, com uma belíssima melodia.

“Nostalgia In Times Square”, de Charles Mingus, tem doses de blues e é uma das faixas mais gostosas de ouvir em todo o disco. “Tem Cent Wings” é difícil de definir: há toques de ‘concertos para piano’ e jazz. O que importa, de fato, é que se trata de mais uma canção interessante – destaque para o solo de Axt na segunda metade da faixa. “Bounce” é um bebop maravilhosamente bem executado. Os três músicos estão sensacionais nesta canção, mas este que vos escreve chama a atenção para a performance de Hass aqui. Simplesmente um espetáculo de técnica na bateria.

Outro ponto alto do disco é a versão “Time After Time”, sucesso de Cindy Lauper nos anos 80. Aqui o trio dá uma cara nova para a canção e o resultado é ótimo. O último cover do disco é “My Old Room”, de Jeff Richman, joga com o regulamento debaixo do braço – ou seja, não compromete, mas não é brilhante.

A trinca final é de composições próprias: começa em “Cartoons”, uma jam pra lá de interessante, cheia de variações e quebras de ritmo. “Nimbus” repete a fórmula, mas em um andamento um pouco mais lento. “Old Faces in Windows” traz de volta ao disco a tônica de ‘concertos para piano, que neste caso toma a faixa por completo, com um belo arranjo criado por Forman.

Puzzle é um disco coeso, que mantém um bom nível em praticamente toda a extensão, com momentos muito bons. A formação atual do Mitchel Forman Trio é afiada e muito competente. Resta saber se o pianista não demorará mais quinze anos para lançar um disco do Trio e se vai manter os mesmos músicos, que aqui fizeram um trabalho muito bom e reforçam a ideia de que 2015 tem sido um ano muito profícuo em relação aos lançamentos de jazz.

Tracklist:

1 – “Death And The Flower/What Is This Thing Called Love”
2 – “Alfie”
3 – “Passing Smile”
4 – “Puzzle”
5 – “Nostalgia In Times Square”
6 – “Ten Cent Wings”
7 – “Bounce”
8 – “Time After Time”
9 – “My Old Room”
10 – “Cartoons”
11 – “Nimbus”
12 – “Old Faces In Windows”

Nota: 4/5



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