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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Resenha: Buffy Sainte-Marie – Power In The Blood


Buffy Sainte-Marie não pode ser considerada uma cantora qualquer por dois motivos: primeiro, sua voz doce consegue chamar atenção ao longo de Power In The Blood, 17º disco de estúdio; segundo, ela é descendente dos Cree, índios nativos canadenses com população atual ultrapassando os 200 mil habitantes no Canadá, sendo pouco mais de 38 mil em Toronto, principal cidade do país. E além de cantora, ela também é uma das referências no ativismo pelo direitos dos índios em ficar em suas terras.

Nascida em uma reserva indígena, ela foi adotada e viveu em Massachusetts, cidade em que se formou em filosofia oriental e ganhou o Ph.D anos depois por ser “referência a milhares de jovens descendentes dos nativos americanos”. Sua carreira como cantora começou nos anos 1960 nos festivais de música folk, cena que contava com nomes como Leonard Cohen, Neil Young e Joni Mitchell, incentivadores de sua carreira. E eles apostaram certo, já que Sainte-Marie explodiu como compositora com o hit "Universal Soldier", em 1963.

"It's My Way" abre o novo álbum com uma balada folk segura e que mostra bem a identidade que a cantora deseja passar ao público em uma canção simples e de diálogo direto, já "Power in the Blood" parece ter sido tirada de algum lugar dos anos 1980 graças ao samplers, efeitos, reverbs e tudo que aquela década trouxe, de bom e ruim, ao mundo da música. Em "We Are Circling", Buffy Sainte-Marie mostra seu lado ativista e derrama uma letra sobre a ‘mãe natureza’ e união, se colocando ao lado de Neil Young na disputa contra as grandes empresas.

Uma levada mais jazz na melodia dá o tom de "Not the Lovin Kind", faixa delicada e, pela primeira vez, a voz tem grande destaque do início do fim, enquanto "Love Charms (Mojo Bijoux)" é suave, mas, ao mesmo tempo, carrega uma melancolia digna de finais de filme de ação. Surpreendentemente, "Ke Sakihitin Awasis (I Love You, Baby)" soa muito um ritual de alguma tribo. E a letra é cheia de elementos interessantes, que ela prende o ouvinte e dá a impressão de estarmos participando de algo realmente importante e bonito para aquele povo desconhecido e distante.

O country folk de "Farm in the Middle of Nowhere" pode passar despercebido por ser simples e, em certo ponto, comum; "Generation" traz uma reflexão e fala de ‘se livrar das cicatrizes’ em uma melodia de leva simples que é complementada por uma guitarra que soa improvisada. E como uma lição de vida, "Sing Our Own Song" fala em seguir nossa própria música em uma espécie de metáfora para seguir o nosso coração sempre que possível.

Fechando o trabalho, temos uma faixa bem melancólica ("Orion"), mais uma que apresenta o modo ativista em uma balada ("The Uranium War") e um momento épico como encerramento ideal para o álbum ("Carry It On"). Em resumo, pode não ser um dos melhores discos deste ano, mas é um dos mais sinceros que ouvi.

Tracklist:

1 - "It's My Way"
2 - "Power in the Blood"
3 - "We Are Circling"
4 - "Not the Lovin Kind"
5 - "Love Charms (Mojo Bijoux)"
6 - "Ke Sakihitin Awasis (I Love You, Baby)"
7 - "Farm in the Middle of Nowhere"
8 - "Generation"
9 - "Sing Our Own Song"
10 - "Orion"
11 - "The Uranium War"
12 - "Carry It On"

Nota: 3/5


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