No YouTube

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Resenha: Florence and The Machine – How Big, How Blue, How Beautiful


A popularidade de Florence Welch é inegável. Se no palco ela usa vestidos longos e faz de suas apresentações cultos religiosos, fora dele a cantora me parece uma agradável companhia para tomar uma cerveja durante uma partida de rúgbi. Muito do sucesso veio por conta de "Dog Days Are Over", que dominou as baladas por alguns anos – catapultando Florence + The Machine para o sucesso.

Ceremonials, segundo álbum, foi bem recebido pelo público, mas não teve um single de sucesso como o anterior. Até por isso, How Big, How Blue, How Beautiful chega para tentar recolocar Welch e sua turma em um lugar melhor nas paradas de sucesso. E o início é bem promissor com o single arrasa quarteirão "Ship to Wreck". A pegada mais pop e dançante apresenta uma nova Florence ao mundo: uma que apenas canta, não transforma tudo em melancolia.

Mesmo com o ar épico típico das canções da discografia da cantora, até que "What Kind of Man" funciona bem por conseguir equilibrar bem esse estilo com uma coisa mais leve e menos enfadonha, entretanto isso muda em "How Big, How Blue, How Beautiful". Um arranjo épico, um refrão grudento e falado quase palavra por palavra é exatamente o que Florence Welch faz de melhor em sua carreira – e não que isso seja bom, necessariamente.

"Queen of Peace" usa os mesmos artifícios de discos passados, como o vocal, soando como algo reciclado e até velho, enquanto "Various Storms & Saints" é chata, arrastada e sem graça por ser o pior lado dela, que ajudou a formar várias Lanas Del Rey pelo mundo. Mas ela consegue retomar a veia mais pop em "Delilah", outra em que o refrão grudento é usado sem restrição alguma.

Uma pena que tudo vai por água abaixo em "Long & Lost", que poderia chamar-se “longa e chata”. Sabe o que pior nesse disco? A sequência de canções ruins, como a que se completa quando "Caught" começa. Me perdoe quem gosta dessa chatice, mas não rola de jeito nenhum, além de ser pretensioso achar que uma música boa precisa ter esse arranjo exagerado, coral e todo esse tipo de parafernália desnecessária.

Por não apresentar nada de novo, diferente ou ambos, "Third Eye" entra na categoria bem esquecível, e não muito diferente é "St. Jude" – um cover de Lana del Rey (ou seria Del Rey um cover de Florence Welch?). Mais pesada de todo álbum, incluindo uma guitarra dando o tom em alguns momentos, "Mother" tem um refrão gritado e acaba sendo usado para retomar aquela veia mais pop apresentada no início.

Me parece que Florence Welch deseja colocar de lado, ou diminuir, aquele tipo de música que a levou ao sucesso. As tentativas de canções que abrangem um público maior foram bem sucedidas, mas o vício do passado ainda está forte nela, e isso acaba quebrando o clima do álbum. É um início para uma nova fase, ainda que isso represente não desagradar ao público antigo em um registro abaixo do esperado.

Tracklist:

1 - "Ship to Wreck"
2 - "What Kind of Man"
3 - "How Big, How Blue, How Beautiful"
4 - "Queen of Peace"
5 - "Various Storms & Saints"
6 - "Delilah"
7 - "Long & Lost"
8 - "Caught"
9 - "Third Eye"
10 - "St. Jude"
11 - "Mother"

Nota: 2/5


Veja também:
Resenha: Dafnis Prieto Sextet - Triangles And Circles
Resenha: Odair José - Dia 16
Resenha: Holly Herndon – Platform
Resenha: Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love
Resenha: Tal National - Zoy Zoy
Resenha: Hugo Fernandez - Cosmogram
Resenha: Blanck Mass – Dumb Flesh