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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Resenha: Hugo Fernandez - Cosmogram


Por Gabriel Carvalho 

O guitarrista mexicano Hugo Fernandez iniciou a carreira no final dos anos 80, tocando com artistas da cena pop do país natal, como Thalia (sim, aquela que vocês conhecem). Em 1998 obteve a licenciatura em música na tradicional Berklee College of Music e em 2005 completou o mestrado em “Estudos de Jazz” na University of New Orleans. Apesar de toda a experiência, Fernandez só lançou o primeiro disco – o bom Origenes - no começo de 2014.

Pouco mais de um ano após a estreia, o músico lança Cosmogram, o segundo disco da carreira. E a abordagem moderna de Fernandez em relação ao jazz continua a predominar nas canções do novo registro. O músico continua a empunhar a guitarra de sete cordas com um timbre limpo e aveludado, tocando com suavidade e precisão. “Reconciliacion”, que começa calma e vai ganhando (um pouco de) intensidade conforme a faixa segue, é uma demonstração do que o ouvinte pode esperar do disco: produção simples e bem-feita, além de harmonias e timbres interessantes.

“Metro” segue o tom da faixa de abertura e se destaca pelo solo de sax no terço final. “Sublime” tem um pouquinho mais de suingue na guitarra que abre a canção, embora depois siga estritamente a estética jazzista. Os solos de contrabaixo e de bateria são um caso à parte aqui. As coisas mudam um pouco na interessantíssima “Grounds”, que possui harmonias típicas do Oriente Médio combinadas com o jazz. É, sem dúvida, o momento mais marcante do disco.

Um jazz suave e dominado pelo saxofone é o que melhor define “Auras”, enquanto tempos um pouco mais rápidos (e quebrados) dão a tônica em “Un-Balanced”. “Bakio” e “Yap”, que fecham o registro, têm complexidade rítmica e pequenas doses de experimentalismo (ou futurismo) que merecem a atenção do ouvinte.

Hugo Fernandez avançou em relação ao disco de estreia, experimentando novos ritmos e sons, embora não tenha se arriscado tanto quanto outros artistas do gênero. Se o leitor tem vontade de explorar além do jazz tradicional, mas não tem coragem de se arriscar demais, “Cosmogram” é uma boa pedida para começar a ‘exploração’. Não se encaixa no perfil citado na frase anterior? Ouça o disco e não se arrependerá.

Tracklist:

1 – “Reconciliacion”
2 – “Metro”
3 – “Sublime”
4 – “Grounds”
5 – “Auras”
6 – “Un-Balanced”
7 – “Bakio”
8 – “Yap”

Nota: 4/5




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