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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Resenha: Paul Weller – Saturns Pattern


Paul Weller rodou o mundo com o The Jam por sete anos, depois ficou mais sete no Style Council, somando 14 anos em duas bandas diferentes. Desde 1991, uma das mentes mais criativas da geração inglesa surgida no final dos anos 1970 segue em carreira solo com nada menos do que 12 discos lançados até hoje. E Saturns Pattern, lançado no início desta semana, é o mais novo registro do cantor.

O início um tanto sombrio até pode espantar para quem não está acostumado com esse tipo de música – melodia ao contrário e guitarras altas, por exemplo. Quando acaba a introdução de mais de um minuto, a voz distorcida de Paul Weller aparece para se unir a todos esses elementos de "White Sky". Um trecho da música é repetido muitas vezes, pressionando o ouvinte a entrar cada vez mais no clima. Pesada quase ao extremo, ela é um começo sublime para um álbum.

Um pouco mais amena no quesito peso, "Saturns Pattern" é lotada de componentes diferentes para montar a melodia, mas tudo é feito de maneira tão simples que funciona absurdamente bem. Toda no piano, a terceira faixa ("Going My Way") tem um ar mais clássico e também mescla elementos diferentes, principalmente na metade final.

Distorção da guitarra, refrão grudento e um ritmo rápido, "Long Time" parece ter sido tirada de algum lugar dos anos 1970 e colocada aqui – e foi uma ótima escolha, diga-se. Outra que soa como algo feito há mais de 40 anos, com a diferença de ser mais técnica e mais suave, "Pick It Up" é muito boa do início ao fim, e "I'm Where I Should Be" é boa, mas não é um negócio espetacular de bom.

Como estava faltando uma canção dançante, "Phoenix" preenche bem essa cota. Só de não ser chata e enjoada, já ganha uns bons pontos – mais uma vez, a mistura de ritmos é de impressionar. As duas últimas faixas mesclam um tipo de música alternativa que poucos vão gostar e/ou entender ("In the Car...") e uma balada que une psicodelia com romantismo ("These City Streets").

Weller está mais em forma do que nunca, fazendo um dos bons discos desse primeiro semestre de 2015. Usando um pouco de cada coisa que pôde pinçar dos anos de carreira, ele uniu tudo isso de maneira brilhante nesse ótimo álbum. É para se escutado com bastante calma e ser apreciado.

Tracklist:

1 - "White Sky"
2 - "Saturns Pattern"
3 - "Going My Way"
4 - "Long Time"
5 - "Pick It Up"
6 - "I'm Where I Should Be"
7 - "Phoenix"
8 - "In the Car..."
9 - "These City Streets"

Nota: 4,5/5


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