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terça-feira, 14 de abril de 2015

Resenha: Bixiga 70 – Bixiga 70 III


Ter uma banda instrumental é abrir mão de um dos principais motivos para se ouvir música: a letra. Mas quando é um grupo do calibre do Bixiga 70, a letra não passa de um pequeno detalhe – que não faz a menor falta no caso deles, diga-se. E trabalhar apenas com instrumentos mostra como a música em sua mais pura essência em seu terceiro trabalho de estúdio.

O disco já começa mostrando uma brasilidade em "Ventania", que traz uma mistura de ritmo – algo entre o carimbó e reggae. Chama atenção a maneira como a melodia é trabalhada, deixando o ouvinte sempre curioso para saber o rumo que a canção tomará nos segundos seguintes. Na faixa seguinte, "Niran" mostra que o colocar dub e muito improviso rende uma música maravilhosa, facilmente uma das melhores que ouvi neste ano.

É possível colocar ritmos do Norte em uma canção que usa muitos elementos do jazz? É. "100% 13" é a prova disso, e a vontade é de sair dançando por aí, enquanto "Di Dancer" é mais sóbria e usa e abusa dos instrumentos de sopro – isso deixou a faixa com cara de abertura de algum seriado brasileiro dos anos 1960. Mas tudo muda quando a canção vira, ganha ritmos africanos e convida o ouvinte para, mais uma vez, dançar junto.

Por incrível que possa parecer, há espaço para algo mais pop. "Machado" ainda é cheia de influências de vários ritmos, mas me parece ser a mais palpável para quem quer se familiarizar com o trabalho do grupo. É um acerto enorme, se levarmos em consideração que o Bixiga 70 já está bastante conhecido por aí. Já "Martelo" é mais veloz e tem mais cara de jazz com certo toque de modernidade.

"Lembe" parece muito com alguma canção da Nação Zumbi, só que sem a letra, e isso mostra que nem sempre a letra é um fator necessário. Mais lenta do meio para o final, também tem um quê de tango. Bem na base do improviso, "Mil Vidas" mostra uma banda versátil e pronta para tocar qualquer ritmo – qualquer um mesmo. De modo mais melancólico, o Bixiga 70 encerra o álbum com "7 Pancadas", faixa mais para ouvir sentado na areia da praia enquanto reflete sobre a vida.

Como um amante da chamada world music, fico muito feliz em saber que exista uma banda brasileira como o Bexiga 70. Pegar uma gama de influências, brasileiras e de fora, colocar tudo isso em prática e fazer um belo disco é trabalho para poucas pessoas. Escutem, esse álbum alegrará o dia de qualquer um.

Tracklist:

1 - "Ventania"
2 - "Niran"
3 - "100% 13"
4 - "Di Dancer"
5 - "Machado"
6 - "Martelo"
7 - "Lembe"
8 - "Mil Vidas"
9 - "7 Pancadas"

Nota: 4,5/5


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