No YouTube

terça-feira, 7 de abril de 2015

Resenha: Kíla – Suas Síos


O Kíla é uma banda de folk irlandesa formada no final dos anos 1980 em uma escola secundária local de Dublin. Diferente de algumas bandas do país, ela optou por algo mais tradicional e muito mais próximo da raiz do folk do que uma mescla de ritmos novos e antigos, como muita gente faz hoje. Então, basicamente, há pouca letra e muitos momentos instrumentais ao longo de Suas Síos, nono disco de estúdio da banda. Hoje a formação conta com Rónán Ó Snodaigh, Rossa Ó Snodaigh, Colm Ó Snodaigh, Seanan Brennan, Brian Hogan, Dee Armstrong, Eoin Dillon e Dave Hingerty.

O próprio início do álbum, na faixa-título, mostra bem isso. Indo um pouco mais a fundo na história do folk, segundo alguns pesquisadores musicais, o ritmo nasceu das canções tradicionais que eram cantadas no Reino Unido a partir do século 16 e, como muitas coisas, evoluiu até chegar ao estágio de mais sucesso – principalmente nos Estados Unidos – entre os anos 1940 e 1960. A instrumental com ar celta "Mac Lir" poderia servir para narrar alguma aventura de algum rei inglês – ficção ou não.

"Jigs" é outra que traz o antigo tipo de fazer canção dos irlandeses para o ouvinte. Deve ser ótimo dançar ao som dessa música, e "Rachel Corrie" parece música feita para tocar em peças de teatro ou em óperas por usar mais elementos da música clássica. Depois de algum tempo, a voz de Rónán Ó Snodaigh retorna na tradicional "Abair", em que fica clara a pré-disposição da banda em ir a fundo à música de raiz de seu lugar natal.

A impressão em "Length of Space" é que teremos mais uma música sem vocais, mas a voz e dá conta mais uma vez de colocar o ouvinte como se estivesse em uma festa regada a muito vinho, dança e boa comida. A curta e instrumental "Mikar Dypnic's Transient Nights (In Adult Situations)" é toda no violino e é muito boa por ser simples. Não diferente no teor, porém na essência, é "Am" – bem mais lenta e soa como trilha de Game of Thrones.

É muito difícil ouvir canções com flautas nos dias de hoje, e "Skinheads" é baseada toda nela. E é muito legal saber que uma banda vai atrás, e consegue fazer isso bem com uma cara. A mescla de instrumentos em "Last Mile Home", quase um encontro entre o pop e o folk, dá uma cara diferente do que foi apresentado até aqui. Com um bonito ar espiritual, "Fainne Or an Lae" encerra o álbum convidando o ouvinte a fazer uma reflexão sobre tudo que ouviu com uma bela melodia ao fundo.

Para quem gosta de música instrumental e de folk, e deseja unir os dois mundos, esse disco do Kila é ideal. E além disso, a mescla de instrumentos é uma boa aula de tradição e até de como conhecer um pouco a música irlandesa.

Tracklist:

1 - "Suas Sios"
2 - "Mac Lir"
3 - "Jigs"
4 - "Rachel Corrie"
5 - "Abair"
6 - "Length of Space"
7 - "Mikar Dypnic's Transient Nights (In Adult Situations)"
8 - "Am"
9 - "Skinheads"
10 - "Last Mile Home"
11 - "Fainne Or an Lae"

Nota: 3,5/5


Veja também:
Resenha: Ringo Starr – Postcards From Paradise
Resenha: Moonspell - Extinct
Resenha: Sufjan Stevens – Carrie and Lowell
Resenha: Robben Ford – Into The Sun
Resenha: Selah Sue – Reason
Resenha: Altan – The Widening Gyre
Resenha: Niyaz – The Fourth Light

Siga o blog no Twitter, Facebook, Instagram, no G+, no no Tumblr e no YouTube

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!