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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Discos para história: Trompe Le Monde, do Pixies (1991)


Encerrando a homenagem a álbuns lançados em 1991, a 67ª edição o Discos para história fala sobre Trompe Le Monde, quarto trabalho do Pixies e o último antes do rompimento da banda – eles retornaram há alguns anos. Ele marca o retorno do grupo à sonoridade dos primeiros trabalhos.

História do disco

O período pré- Trompe Le Monde foi tenso para o Pixies. O guitarrista, vocalista e dono da banda Black Francis e a baixista Kim Deal não paravam de brigar. Durante um show na Alemanha, Francis jogou sua guitarra em Deal. Eles pararam de se falar, e Kim foi demitida e fundou o ótimo The Breeders. Entre 1989 e 1990, o grupo interrompeu suas atividades para uma pausa.

As relações entre Deal e Francis eram tão tensas, que três dos quatro membros se mudaram para Los Angeles, menos a baixista. O quarto álbum de estúdio foi gravado em, basicamente, um inferno emocional. Os dois mal se falavam, o que dificultou muito qualquer tentativa de fazer alguma coisa em conjunto. Claro que isso só fez as tensões aumentarem ainda mais.

Esse álbum em particular acabou sendo o momento em que o vocalista colocou para fora algumas coisas pessoais – desde seu fascínio por OVINIS até sua decepção com as atitudes de seus parceiros de grupo. Isso ainda não havia acontecido no catálogo deles, por isso deixou de ser uma surpresa para quem ouvia o trabalho. Aliás, Trompe Le Monde é tão confessional, que muitos chamam de a estreia solo de Francis. Evidentemente, Deal não participou ativamente, sendo colocada de escanteio em vários momentos.

Depois de uma turnê extremamente constrangedora com o U2, o Pixies tirou outro tempo para pensar na vida – todos os seus membros voltaram aos seus projetos paralelos. Em 1993, em um programa da BBC Radio 5, Black Francis anunciou que a banda havia terminado. A guerra de egos e diferenças criativas foram os fatores determinantes para esse primeiro encerramento das atividades. Como o contrato com a gravadora 4AD era de longa duração, vários especiais e versões foram lançadas ao longo dos anos 1990.

Mesmo com todos os problemas, Trompe Le Monde é excelente disco do rock alternativo. Se existe uma bíblia do rock, certamente esse disco está em algum capítulo importante.


Resenha de Trompe Le Monde

A curta faixa-título abre o disco de maneira bem marcante, porque aqui temos o Pixies como conhecemos: rápido e rasteiro na melodia, assim como "Planet of Sound", com a diferença que temos uma banda mais pesada e usando mais o artifício de efeitos nas guitarras para aumentar ainda mais o poder do instrumental.

Um fato engraçado sobre "Alec Eiffel": ela é uma homenagem a Alexandre Gustave Eiffel, homem que projetou a Torre Eiffel. A canção usa e abusa da melodia em uma letra quase sem sentido – é aquele engraçado e curioso ao mesmo tempo. E se tem uma canção que entrega o que promete é "The Sad Punk". Veloz, não deixa pedra sobre pedra.



Escrita originalmente por Jim Reid e William Reid, do Jesus & Mary Chain, "Head On" ganhou um cover mais suave, simples e muito honesto. Uma das coisas que mais gosto no Pixies é a capacidade de fazer boas músicas na medida certa. Nem tão pesadas, nem tão leves. Nem metal, nem punk, nem pop-rock. É tudo no limite e fica delicioso, com é o caso de "U-Mass", que fala sobre a expulsão de Francis e de Joey Santiago da universidade.

A primeira vez, ainda que de leve, que a voz de Kim Deal aparece é em "Palace of the Brine". Uma pena que essa picuinha tenha colocado a excelente cantora e baixista de lado. A linda "Letter to Memphis" (The day since i met her/ I can't believe it's true/ She came here from Memphis/ Across the ocean sailing/ And i saw her And i pleaded/ Why do you come so far/ And she said/ Trying to get to you/ How i tried to get you) mostra que Black Francis estava com algum tipo de problema pessoal.

Curta, "Bird Dream of the Olympus Mons" tem uma letra linda, enquanto "Space (I Believe in)" é o retorno da agressividade à la Pixies em um tema muito peculiar: discos voadores e habitantes de outros planetas. Enfim, Deal participa diretamente de uma faixa: "Subbacultcha" é outra que é perfeitamente reconhecível porque o estilo é, inevitavelmente, ligado ao grupo.



A sequência de "Subbacultcha", "Distance Equals Rate Times Time" e "Lovely Day" parece muito mais uma canção dividida em três partes, como uma ópera rock, do que faixas separadas. Em "Motorway to Roswell”, temos um vocalista em um poço de mágoa e ressentimento, basicamente resume bem Trompe Le Monde. Finalizando, "The Navajo Know" soa como um recado – ou algo assim.

Trompe Le Monde marcou o fim do Pixies. Pelo menos até esse retorno. Se eles tivessem que acabar aqui, seria um excelente final e faria jus aos anos de trabalho e influência deles. Mas resolveram voltar e lançar o péssimo Indie City. E ainda estão sem Kim Deal, que não aguentou Black Francis mais uma vez. Prefiro mil vezes esse Pixies do que o atual, velho e cada vez mais rabugento.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Trompe Le Monde"
2 - "Planet of Sound"
3 - "Alec Eiffel"
4 - "The Sad Punk"
5 - "Head On" (Jim Reid e William Reid)
6 - "U-Mass"
7 - "Palace of the Brine"
8 - "Letter to Memphis"
9 - "Bird Dream of the Olympus Mons"
10 - "Space (I Believe in)"
11 - "Subbacultcha"
12 - "Distance Equals Rate Times Time"
13 - "Lovely Day"
14 - "Motorway to Roswell”
15 - "The Navajo Know"

Todas as canções foram escritas por Black Francis, exceto a marcada.

Gravadora: 4AD
Produção: Gil Norton
Tempo: 39min03s

Black Francis: vocais e guitarra
Kim Deal: baixo, vocais e vocais de apoio
David Lovering: bateria
Joey Santiago: guitarra

Convidados:

Eric Drew Feldman: teclado e piano
Jef Feldman: percussão



Veja também:
Discos para história: Badmotorfinger, do Soundgarden (1991)
Discos para história: Ten, do Pearl Jam (1991)
Discos para história: Nevermind, do Nirvana (1991)
Discos para história: Another Side of Bob Dylan, de Bob Dylan (1964)
Discos para história: All Things Must Pass, de George Harrison (1970)
Discos para história: Back in Black, do AC/DC (1980)




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