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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Resenha: Rodrigo y Gabriela – 9 Dead Alive


O duo mexicano Rodrigo y Gabriela caiu na graça do mainstream há quatro, cinco anos. Desde então, eles vêm ganhando destaque em publicações importantes. Em seu quarto disco de estúdio, eles optaram por um caminho mais próximo de suas raízes do que um estilo de música mais mundial e burocrático. E cada faixa foi inspirada e dedicada a pessoas que eles admiram.

Fazer um disco instrumental é muito difícil, pelo fato de que não há letra para dividir a atenção e toda concentração está na melodia, no andamento da canção, se os instrumentos casam bem e como todos esses fatores constroem ou não um bom trabalho. É bom, mas, ao mesmo tempo, é muito arriscado apostar somente em um fator.

Por exemplo, "The Soundmaker" é uma faixa que parece uma novela mexicana que passa no SBT. Cheia de altos e baixos, a canção soa como uma espécie de ópera com violão. Baseado pelo título, 9 Dead Alive é um disco bem triste, mas que Rodrigo y Gabriela optaram pelo simples – as canções parecem que contam uma história, porém isso não fica claro.

“Torito” tem mais solos e a percussão trabalha mais do que no início, e fica ainda mais claro que o disco não tem a menor intenção mostrar canções felizes. A melancolia é a pauta, como em "Sunday Neurosis", de longe a mais tenebrosa e sombria. Não há aquele violão agitado, mas apenas o dedilhar calmo e sem pressa. O um ensaio do retorno da pegada inicial do álbum acontece em "Misty Moses", mas em "Somnium" tudo volta ao clima etéreo.

O começo de "FRAM" não é diferente das outras em praticamente nada, o diferente dela está no meio com um belo solo de violão. A melhor canção do disco é "Megalopolis", uma bonita homenagem a feminista e vencedora do Prêmio Nobel de Literatura Gabriela Mistral. A faixa tem uma delicadeza e nuances tão profundas, que emociona. Penúltima música, "The Russian Messenger" é uma homenagem a filósofo russo Dostoyevsky. Com seu clima dançante, ela é outra que supera por muito o início irregular. Encerrando o disco, "La salle des pas perdus" coloca no seu ouvido o clima do filme Meia-Noite em Paris, de Woody Allen. Um final bem digno.

O início capenga parece não compensar, mas isso muda ao longo da audição de um disco com poucas faixas e de duração razoável – 40 minutos. Depois da segunda canção, o trabalho embala e fica cada vez mais bonito, com sua simplicidade como grande destaque.

Tracklist:

1 - "The Soundmaker" (Antonio de Torres Jurado)
2 - "Torito" (Animais e Natureza)
3 - "Sunday Neurosis" (Viktor Frankl)
4 - "Misty Moses" (Harriet Tubman)
5 - "Somnium" (Sor Juana Inés de la Cruz)
6 - "FRAM" (Fridtjof Nansen)
7 - "Megalopolis" (Gabriela Mistral)
8 - "The Russian Messenger" (Fyodor Dostoyevsky)
9 - "La salle des pas perdus" (Eleanor of Aquitane)

Nota: 3,5/5



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