No YouTube

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Resenha: Childhood – Lacuna


Nos últimos três anos, o Childhood lançou apenas singles, mas prometeu seu primeiro trabalho ainda neste ano. E como promessa é dívida, eles soltaram Lacuna, disco de estreia do grupo inglês. Com ares de psicodélico indie, eles foram muito elogiados pelos principais semanários e sites de música pelo mundo.

Soando como um Tame Impala mais suave, o Childhood começa o disco com a tranquila "Blue Velvet". Cheia de efeitos e camadas, a canção dá um bom início ao trabalho, que ganha ainda mais contornos na ótima "You Could Be Different" com seu refrão e letra fáceis. Um bom começo de trabalho é sempre esperança de algo melhor pela frente.

Definitivamente indo para o psicodelismo, "As I Am" consegue ser animada, dançante e cheia de energia – digamos que é uma canção que pode conquistar os indies pelo mundo -, enquanto "Right Beneath Me" seria uma baldada pop se não fosse o ar lo-fi que carrega. Não é nem psicodélica, nem indie. Soa como uma mescla de Bloc Party com Grimes e Sleigh Bells.

Essa nova fase indie é bem conhecida por ser etérea, mas dançante. E é exatamente como soa "Falls Away", canção previsível que parece com muitas outras que fazem sucesso por aí. Também na linha lo-fi, "Sweeter Preacher" apela mais para os vocais de apoio, nem tanto para os efeitos. De todas até aqui, ela é a mais crua.

Já "Tides" quer parecer uma balada pop, e até parece, mas não é das melhores exatamente por isso. É muito simplória. De volta ao clima de Tame Impala, "Solemn Skies" é mais veloz e mais dançante do que a anterior – e, enfim, mais uma faixa boa por ser fácil de decorar. Depois de uma sequência irregular, o disco volta ao bom ritmo em "Chiliad". Você pergunta: também não é uma balada? Eu respondo: é, mas ela trabalha outras nuances e pequenas coisas que agradam mais do que outras.

A animação e diversão voltam em "Pay For Cool", primeira canção que tem uma pegada mais rock e menos alternativa das outras. Mas o encerramento não poderia ser diferente do que foi Lacuna em quase 50 minutos: "When You Rise" traz o ouvinte de volta ao início do disco com seu som psicodélico e cheio de possibilidades.

Para o primeiro trabalho, até que Lacuna é um ótimo disco. Misturando lo-fi, psicodelia e indie, esses ingleses podem sonhar em rivalizar com o Tame Impala no futuro. Por enquanto, eles têm vários singles e um álbum para começar. Não é muita coisa, mas é um início.

Tracklist:

1 - "Blue Velvet"
2 - "You Could Be Different"
3 - "As I Am"
4 - "Right Beneath Me"
5 - "Falls Away"
6 - "Sweeter Preacher"
7 - "Tides"
8 - "Solemn Skies"
9 - "Chiliad"
10 - "Pay For Cool"
11 - "When You Rise"

Nota: 3,5/5



Veja também:
Resenha: Mark Lanegan Band - No Bells On Sunday EP
Resenha: The Gaslight Anthem – Get Hurt
4 em 1: Toni Braxton & Babyface, Mike Oldfield, Angel Olsen e Joe Louis Walker
Resenha: Opeth - Pale Communion
Resenha: Tatá Aeroplano – Na Loucura e Na Lucidez
Resenha: Sinéad O’Connor – I’m Not Bossy, I’m The Boss




Siga o blog no Twitter, Facebook, Instagram e no G+