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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Resenha: O Terno – O Terno


Em 66, um Terno mais moleque, mais raiz, mais toco y me voy era visto. Os anos passaram, eles amadureceram e lançaram um novo trabalho, este com apenas o nome do grupo. Com uma capa belíssima, o novo disco promete muito pelo passado recente e pelo potencial deles como compositores.

O início curto de "Bote ao Contrário" e sua melodia meio brega, meio psicodélica, mostra como a influência dos anos 1970 está batendo forte nessa nova geração da música brasileira. Outra coisa para ser observada é a variedade de instrumentos dentro da mesma faixa – nesse caso, tudo funciona muito bem.

Quase um clássico das bandas que moram em São Paulo, mostrar sua leitura pessoal da cidade é quase obrigação. E O Terno faz isso na ótima "O Cinza" que, apesar do nome, tem momentos de delicadeza sonora muito bons, mesclando com uma agressividade em alguns versos. Com toques de MPB, "Ai, Ai, Como eu Me Iludo" é uma balada romântica simples e bem honesta.

A boa "Quando Estamos Todos Dormindo" é lúdica ao usar o tema sono para tratar de outros assuntos em mais uma canção que não tem floreios e é pautada pela simplicidade. Não seria absurdo se Boogarins regravasse "Eu Confesso", faixa que se encaixa bem para resumir o atual momento da música brasileira que anda fazendo sucesso no circuito Sesc.

Aparentemente, "Brazil" é direcionada ao público estrangeiro que acompanha a banda. Uma pena que soe como qualquer outro grupo que grava em inglês para atingir outros ouvintes, sendo esse o momento mais baixo do trabalho. Não é a primeira vez que tenho essa sensação, mas "Pela Metade" parece música dos Saltimbancos. E exatamente por lembrar uma fase da infância é que ela é uma das melhores do álbum.

"Vanguarda?" é a mais pesada até aqui, emulando momentos psicodélicos da música brasileira – é outra que também só é razoável. Tratando de um tema difícil que é a aposentadoria, de deixar de fazer algo que fez parte de uma vida inteira, "Quando Eu Me Aposentar" consegue expor o tema com uma visão de alguém que está longe disso, mas tem um olhar como poucos. Já "Medo do Medo" não impressiona por ser mais do mesmo e é bem passável.

"Eu Vou Ter Saudades" tem um clima meio Los Hermanos, meio Marcelo Jeneci, e até que isso é bom, no final das contas. O filão do disco, a melhor canção, está no final. "Desaparecido" tem uma letra excelente e uma melodia típica de uma história bem contada, e é a única que consegue agradar do início ao fim. Pinta como uma das melhores músicas do ano no Brasil, se não for a melhor. Não é pouco.

O Terno conseguiu fazer um disco mais maduro do que o anterior, mas ainda peca em alguns aspectos – como ficar na zona de conforto em alguns momentos, por exemplo. Mas a última faixa mostra como eles pode, sim, fazer algo diferente e ótimo.

Tracklist:

1 - "Bote ao Contrário"
2 - "O Cinza"
3 - "Ai, Ai, Como eu Me Iludo"
4 - "Quando Estamos Todos Dormindo"
5 - "Eu Confesso"
6 - "Brazil"
7 - "Pela Metade"
8 - "Vanguarda?"
9 - "Quando Eu Me Aposentar"
10 - "Medo do Medo"
11 - "Eu Vou Ter Saudades"
12 - "Desaparecido"

Nota: 3,5/5



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