segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A década com Spotify e como ficou difícil romper a bolha


Serviço de streaming completa dez anos neste mês de outubro

Quem nasceu no fim dos anos 1980 acabou sendo a última geração que viveu uma parte considerável da vida sem internet. Tudo que muita gente diz hoje que é saudável para quem tem compulsão por olhar o celular o tempo inteiro ou trocou a TV pelo YouTube, minha geração viveu isso na pele. Jogar bola, conversar na rua, festinhas nos vizinhos e ir ao shopping com a família eram as poucas opções para quem desejava um pouco de diversão.

Ouvir música não era muito diferente. Só existia rádio. Para os filhos de pais com dinheiro e dispostos a gastar, existia a opção do discman. De resto, éramos todos reféns das respectivas programações das estações de rádio. 89 FM, Kiss FM e Brasil 2000 para quem gostava de rock, Jovem Pan FM e Metropolitana para quem era do pop e do hip-hop, e Nova Brasil FM para quem gostava de música brasileira.

Na última semana, o Spotify completou dez anos de existência, sendo quatro deles no Brasil. Não há como negar que a existência de um serviço de streaming mudou a relação com a música. No início dos anos 2000, com a pirataria em alta e sem o YouTube, era comum baixar música e gravar em CDs – bom lembrar que as memórias dos computadores da época não chegavam nem perto do que é hoje.

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“Descobri uma banda legal, vou te gravar um CD”, “vou montar um CD com as músicas de programa tal”. Eram frases comuns no colégio. Com o streaming, a coisa mudou. Hoje falamos em playlists, prontas ou não, que dividimos entre algumas centenas de pessoas nas redes sociais. É uma mudança em tanto em uma década. O início dos anos 2000 parece outra vida perto de hoje.

Também mudou a relação de descoberta de novos artistas. Tudo virou um imenso nicho, então é difícil acompanhar tudo que acontece. K-Pop, funk brasileiro, rock, hip-hop, sertanejo – universitário ou formado –, existe playlist para tudo. Mais do que nunca, o público está cada vez mais refém de acabar, ainda que por pura osmose, ouvir as mesmas coisas todos os dias.

É um fato que a tecnologia torna nossa vida mais fácil em vários aspectos, mas também nos torna mais preguiçosos. É mais fácil dar play em algo que já conheço do que ir atrás de alguma novidade ou ouvir algo parecido com o que gosto. Cada vez mais cômodos em nossas bolhas de conivência, de qualquer coisa, estamos cada vez mais fechados e menos expostos a novidades de qualquer tipo. É mais difícil gostar de algo novo. Falando de algo bem pessoal, acabo tendo muita sorte de ter um blog de música e ter contato com tanta música diferente de várias partes do mundo. Sei que não é assim com a maioria das pessoas.

O Spotify é um mundo de possibilidades infinitas musicalmente. É possível montar uma playlist com músicas para ouvir durante a semana inteira sem repetir nenhuma. Difícil é romper a bolha. Seremos capazes?


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