segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A relevância dos números nas paradas em tempos de streaming


Coletânea do Eagles ultrapassou Michael Jackson como disco mais vendido nos Estados Unidos

Na última semana, a notícia de que a coletânea do Eagles ultrapassou "Thriller", de Michael Jackson, como disco mais vendido nos Estados Unidos causou espanto em muita gente. Afinal, como “The Eagles: Their Greatest Hits 1971-1975" pôde ficar à frente de uma das obras musicais mais conceituadas e aclamadas dos últimos 40 anos?

É difícil entender isso, principalmente com a chegada dos serviços de streaming. Segundo Amanda Petrusich, em texto para o site da revista ‘The New Yorker’, em 2009, ambos estavam empatados com 29 milhões de discos vendidos no país. Até três anos atrás, o streaming não contava nas vendas, mas tudo mudou em 2016 – cada 1.500 execuções únicas contam como uma venda, segundo a R.I.A.A (Recording Industry Association of America, a Associação da Indústria de Gravação da América em tradução literal) E aí a coisa mudou de figura.

Talvez as pessoas estejam procurando algo mais leve para ouvir durante um período político difícil nos Estados Unidos? Talvez as pessoas estejam ouvindo uma playlist de “O Grande Lebowski” o dia inteiro? Existe uma doença em que a pessoa não para de ouvir “Desperado” por longos dias a fio até cair morta no chão? A morte de Glenn Frey, em 2016, potencializou essa subida?

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Os números por si dizem por si só que o Eagles é um sucesso nos Estados Unidos – a banda também ocupa a terceira posição no ranking com “Hotel California”, de 1976. Mas também podem dizer que um determinado grupo de pessoas só ouve as mesmas coisas desde sempre, o que não é nada surpreendente. Criou-se a praticidade para ficar na mesma.

Assim como muita gente pensou que a internet democratizaria os meios, acabou que Facebook, Google e Amazon dominaram completamente seus respectivos nichos e fizeram de seus fundadores os bilionários do nosso tempo. Os serviços de streaming fizeram o mesmo com as bandas de grande popularidade: abriram caminho para os gigantes ficarem ainda maiores.

Os números não deveriam importar quando o assunto é música, mas é impossível não ter a atenção chamada quando o Eagles atinge esse patamar. Há mais do que um mero número aí, isso é fato. Mas é difícil entender isso sem saber das pessoas o motivo de ouvir a mesma música – desde conforto pessoal até fanatismo podem fazer parte das respostas.

O streaming trouxe uma nova era de fatos e dados para quem gosta de debruçar em cima. Por ser algo relativamente novo na vida das pessoas, ainda é complicado tirar uma conclusão 100% certa sobre isso. O certo é que veremos cada vez mais novos e velhos artistas atingindo números exorbitantes com o passar dos anos. E é só o começo.


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