quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Discos para história: Avanço, do Tamba Trio (1963)


Segundo disco de estúdio do trio consolidaria algumas das mais famosas canções da Bossa Nova

História do disco

A música popular brasileira sempre teve força em seus principais nomes ao longo dos anos com ajuda de muita gente que o público não faz ideia. Três desses personagens fizeram parte do icônico Tamba Trio, banda que acompanhou diversos cantores e cantoras ao longo dos anos, além de regravar material de outros compositores em discos próprios.

Formado por Luiz Eça (piano), Hélcio Milito (bateria) e Bebeto Castilho (baixo e sopros), a primeira fase do Tamba Trio gravou com muita gente. De Maysa a Leny Andrade, eles estiveram em alguns dos momentos mais sublimes da música brasileira, como em “O Barquinho” (1962), quando foram chamados pelo produtor Ronaldo Boscoli de “meninos da Nova Onda”. Eles estrearam nos palcos em 1962, no Bottle's Bar, no Beco das Garrafas, ponto de encontro da boêmia carioca durante a efervescência do nascimento da Bossa Nova.

Mais discos dos anos 1960:
Discos para história: O Inimitável, de Roberto Carlos (1968)
Discos para história: A Girl Called Dusty, de Dusty Springfield (1964)
Discos para história: Magical Mystery Tour, dos Beatles (1967)
Discos para história: Mutantes, dos Mutantes (1969)
Discos para história: Mr. Tambourine Man, do Byrds (1965)
Discos para história: Os Afro-Sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes (1966)


Lá, as apresentações eram marcantes por dois motivos: a força instrumental e o uso de microfones de lapela, fundamentais para dar liberdade aos músicos durante a execução de suas peças. O trio acabou sendo espelho para muitos grupos vocais e instrumentais que surgiram nos anos seguintes no Brasil para dar sequência – e até mesmo imitar – o samba-jazz do Tamba Trio. À época, eles tinham um som considerado muito moderno, equiparado ao que acontecia no jazz nos Estados Unidos.

Ainda em 1962, o grupo gravou o primeiro LP. Com o nome “Tamba Trio”, o trabalho virou um marco por trazer “Batida Diferente”, “Influência do Jazz”, “Alegria de Viver” e “Samba Novo”, faixas que falavam da Bossa Nova em uma espécie de manifesto em favor do subgênero – não era incomum isso acontecer. Claro, foram criticados (muitos achavam que era um subgênero imperialista por ser inspirado no jazz americano) e elogiados (outros achavam a Bossa Nova uma forma mais sofisticada e erudita de samba).

Veja também:
Discos para história: Deixa a Vida Me Levar, de Zeca Pagodinho (2002)
Discos para história: Assim Sou Eu..., de Odair José (1972)
Discos para história: Luiz Gonzaga Canta Seus Sucessos com Zé Dantas, de Luiz Gonzaga (1959)
Discos para história: Pornography, do The Cure (1982)
Discos para história: Nowhere, do Ride (1990)
Discos para história: Night Life, de Ray Price (1963)


Esse refinamento ficou ainda mais claro em “Avanço”, LP lançado no ano seguinte. Basicamente, com novos arranjos, o Tamba Trio regravou alguns clássicos da Bossa Nova e de novos artistas que haviam sido lançados nos meses anteriores. Seria o penúltimo trabalho da formação original. No ano seguinte, o trio vivia às turras entre si, e o limite havia chegado para Hélcio Milito. O percussionista deixaria o grupo.

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Resenha de “Avanço”

O LP começa com uma versão bem mais vocal de "Garota de Ipanema", o eterno clássico composto por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. E, como diria aquela estação de rádio, depois de um clássico vem outro clássico. "Mas que Nada", de Jorge Bem-ainda-não-Jor, também ganhou certa refinação com o novo arranjo do Tamba Trio.

Gravada pelo cantor José Tobias pela primeira vez também em 1963, "Negro" e "Mania de Maria" são duas faixas instrumentais que corroboram a tese de que a Bossa Nova é um jazz abrasileirado por parte da elite musical carioca dos anos 1950, já "Vento do Mar" ganhou uma versão muito bonita também – aliás, a qualidade vocal do trio é absurda.



De Marcus Valle e Paulo Sergio Valle vem "Sonho de Maria", uma bonita e melancólica história sobre a morte de uma mulher pobre que mora na favela e que deixa um filho chorando. A sequência formada por "Só Danço Samba" e "Samba da Minha Terra" é animada e feita para dançar e funciona muito bem. E "Moça Flor" é a típica canção romântica produzida pela Bossa Nova nos anos 1960.

"Rio" traz uma bela homenagem ao combalido Rio de Janeiro desde aquela época. A bonita instrumental "Tristeza de Nós Dois" tem um ar angelical no começo que ganha tons de jazz na parte final e, para encerrar, surge a também instrumental "Esperança".

Grande trio dos anos 1960, o Tamba Trio conseguiu dar uma cara muito própria às releituras de clássicos da época. E ao fazer isso com tanta maestria, ajudou ainda mais a carimbar o sucesso das faixas e dos compositores, que também seriam aclamados nos anos seguintes.



Ficha técnica

Tracklist:

1 - "Garota de Ipanema" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
2 - "Mas que Nada" (Jorge Ben)
3 - "Negro" (Roberto Menescal/Ronaldo Boscoli)
4 - "Mania de Maria" (Luiz Bonfá/Maria Helena Toledo)
5 - "Vento do Mar" (Durval Ferreira/Luiz Fernando Freire)
6 - "Sonho de Maria" (Marcus Valle/Paulo Sergio Valle)
7 - "Só Danço Samba" (Tom Jobim/Vinicius de Moraes)
8 - "Samba da Minha Terra" (Dorival Caymmi)
9 - "Moça Flor" (Durval Ferreira/Luiz Fernando Freire)
10 - "Rio" (Roberto Menescal/Ronaldo Boscoli)
11 - "Tristeza de Nós Dois" (Durval Ferreira/Mauricio/Bebeto)
12 - "Esperança" (Durval Ferreira/Luiz Fernando Freire/Mauricio)

Gravadora: Phillips
Produção: Armando Pittigliani
Duração: 34 minutos

Luiz Eça: piano, arranjos e direção musical
Adalberto Castilho (Bebeto): baixo, sax tenor, sax barítono e flauta
Hélcio Milito: percussão
Durval Ferreira (Gato): violão
Conjunto de cordas: violoncelos e violão



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