terça-feira, 13 de março de 2018

Resenha: David Byrne – American Utopia


Cantor lança primeiro disco de inéditas em 14 anos

Em 1988, o Talking Heads ficou em hiato por três anos para David Byrne tocar a carreira solo. Quando um retorno estava para acontecer, a banda anunciou o fim das atividades e abriu ainda espaço para Byrne fazer o que queria: experimentar vários tipos de gêneros e trabalhar com músicos do mundo inteiro. E foi exatamente isso que ele fez nos últimos 27 anos, chegando até American Utopia, 11º disco de estúdio – o primeiro desde Grown Backwards (2004) – e feito todo em parceria com Brian Eno.

"I Dance Like This" abre o disco com um arranjo suave e David Byrne dando uma de crooner. Tudo normal, certo? Bom, é Davie Byrne, e as coisas não são normais em um disco dele. Logo depois, aparece um arranjo eletrônico e bem agressivo, e me lembrou porque ele quis fazer outras coisas fora do Talking Heads. A faixa volta para uma melancolia até retornar para agressividade.

Veja também:
Resenha: The Breeders – All Nerve
Resenha: Superchunk – What a Time to Be Alive
Resenha: Hookworms – Microshift
Resenha: Joe Satriani – What Happens Next
Resenha: Glen Hansard – Between Two Shores
Resenha: Shame – Songs of Praise
Resenha: Charlotte Gainsbourg – Rest


A canção seguinte começa com um clima meio indiano, mas logo passa para uma pegada mais pop para uma letra de teor político, ainda que seja bem discreta em seu recado sobre o mundo atual. E "Every Day Is a Miracle" soa como um recado para a anterior, de que todo dia é um milagre e como todos deveriam estar gratos por viver – isso depende da quantidade de boletos para pagar, diga-se. Os arranjos das duas são bem animados e funcionam bem, apesar de não impressionarem muito.

A curta "Dog's Mind" surge para mostrar que Byrne ainda consegue usar bem o lúdico para criar uma boa faixa – no caso, sobre a cabeça de um cão e como ela realmente se contenta com coisas simples. A parte experimental do disco ganha mais uma adição com "This Is That". Essa é, definitivamente, bem "diferentona" em todos os aspectos, porém é na segunda metade que ela ganha tons mais profundos e aprofunda-se ainda mais no experimentalismo.

Em "It's Not Dark Up Here", podemos ouvir mais uma vez como Byrne é realmente bem habilidoso para tratar de um tema complexo (liberdade) usando metáforas e contando uma história. Outra boa faixa do álbum que merece seu destaque, mesmo um pouco longa em excesso. Mas a melhor parte do álbum está a partir de "Bullet", uma faixa com arranjo bem delicada e com letra bem fácil de cantar.

Depois surge a ótima e melhor faixa do disco: "Doing the Right Thing", momento do disco em que pode ser considerado um belo resumo da carreira solo do cantor em que música clássica e experimental podem viver em companhia uma da outra e formar uma ótima parceria. E ela é bem diferente da próxima, "Everybody's Coming to My House", uma escancarada faixa feita para dançar. O disco termina com a melancólica "Here" – outra com bonito arranjo.

David Byrne segue otimista, apesar dos problemas do mundo. E ele também segue fazendo uma ótima parceria com Brian Eno, que o ajudou na composição de todas as músicas. American Utopia mostra como ainda estamos longe de certas coisas que desejamos, mesmo com Byrne mostrando que é possível chegar lá.

Tracklist:

1 - "I Dance Like This"
2 - "Gasoline and Dirty Sheets"
3 - "Every Day Is a Miracle"
4 - "Dog's Mind"
5 - "This Is That"
6 - "It's Not Dark Up Here"
7 - "Bullet"
8 - "Doing the Right Thing"
9 - "Everybody's Coming to My House"
10 - "Here"

Avaliação: bom



Me siga no Twitter e no Facebook e assine o canal no YouTube. Compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!

Saiba como ajudar o blog a continuar existindo

Gostou do post? Compartilhe nas redes sociais e indique o blog aos amigos!