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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

'Tiozinhos' salvam Rock in Rio do marasmo completo


The Who, Aerosmith e as boas atrações do Palco Sunset foram os destaques

A segunda semana do Rock in Rio consagrou o The Who como a grande atração desta edição. Aliás, não é incomum nas últimas edições do festival a força de alguns nomes veteranos – ou é possível esquecer a apresentação de Bruce Springsteen em 2013? Mais do que isso, vimos como exageros podem acabar com qualquer ideia de um bom show. Nem preciso dizer que estou me referindo ao Guns N' Roses.

Axl Rose está ficando velho, e isso é um fato sem volta. A não ser que você morra jovem, o natural é a idade chegar para todos. O problema do vocalista é tentar ser um 'meninão' no palco, coisa que ele não aguenta mais. Um show com nove covers é inviável para alguém que só foi melhorar na parte final da apresentação. Focar no repertório do Guns já exige muito da voz e fisicamente, imagine cantar outras músicas? Querem entregar um show longo, mas, com Axl cada vez mais incapaz de atingir certas notas, fica vergonhosa essa tentativa.

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Tudo isso é somado a porrada ao vivo que é o The Who. Roger Daltrey e Pete Townshend não parecem ter mais de 70 anos – sério, se eu chegar nessa idade com esse fôlego todo será ótimo. Ao longo da história, músicos sempre falaram que é uma roubada tocar depois deles porque eles têm uma entrega absurda no palco, um caminhão de hits e o carisma necessário para entreter 300 pessoas ou 100 mil. Esses fatores colaboraram muito para o show do Guns ficar ainda pior. Em entrevista ao Multishow, Townshend confessou que precisa de uma pausa. Tudo bem, mas que eles voltem ao Brasil para um último show

Mais uma vez, no geral, o Palco Sunset apresentou bem mais opções de boas atrações do que o Palco Mundo. Alice Cooper, CeeLo Green – mesmo completamente deslocado na escalação –, o Grande Encontro e BaianaSystem mostraram ótimos repertórios. A grande decepção foi justamente a mais esperada: Ney Matogrosso & Nação Zumbi. Não sei se faltou ensaio, mas não deu certo a união das vozes de Matogrosso e Jorge Du Peixe. Ficou muito ruim.

No Palco Mundo, Tears For Fears e Aerosmith aproveitaram bem o caminhão de hits, e o Red Hot Chili Peppers segue muito irregular para uma banda que não deveria deixar o público ficar tão murcho em alguns momentos. Liderados por Jared Leto, o 30 Seconds to Mars foi a grande piada dessa edição. Mais papo do que show, foi um exemplo de como fazer de trouxa quem pagou por um ingresso caro. Entre os brasileiros, Jota Quest segue intragável, Titãs deveria ter levantado o público como fez o Capital Inicial e o Scalene foi honesto.

O saldo da segunda semana foi melhor do que da anterior, mas o Rock in Rio virou o festival do mais do mesmo e está tudo certo. E essa falta de ousadia reinará para todo sempre. Afinal, o público consumidor desse tipo de evento quer sempre mais do mesmo.

Obs.: não vi alguns shows, então, se sua banda favorita não foi citada, foi por esse motivo.

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