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quarta-feira, 29 de março de 2017

Resenha: The Jesus and Mary Chain – Damage and Joy


Banda estava há quase 20 anos sem um trabalho de estúdio novo

Ainda é muito chocante saber que Psychocandy (1985), o primeiro álbum do Jesus and Mary Chain, já tem 32 anos de seu lançamento. Também choca saber que Munki (1998), então último disco de estúdio, completa 20 anos em 2018. Mas o importante nesse momento é Damage and Joy, novo registro do grupo, colocado no mercado depois de muito tempo de espera. Diferente do Depeche Mode, o Jesus and Mary Chain parou antes de retornar às atividades. E isso deu a eles o tal status cult que muitas bandas dos anos 1980 e 1990 têm atualmente.

"Amputation" começa bem ao estilo da banda: algo assobiável e uma batida bem decorável para falar da frustração do guitarrista William Reid em saber que os novos fãs de rock estavam interessados em cópias do Jesus and Mary Chain, não na banda em si. Ele se sentia amputado desse novo mundo da música, então escreveu a letra. E o tema envelhecimento é tratado de maneira ainda mais melancólica na balada "War on Peace". Sozinho e perdido, o protagonista tem pouco a oferecer e não se vê preenchendo o vazio de ninguém – a faixa acelera na parte final e até surpreende um ouvinte mais desatento.

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Uma que merece ficar para sempre nas apresentações ao vivo é "All Things Pass". Porque tudo nela funciona tão bem, que poderia estar em qualquer aula de como fazer um single de qualidade usando elementos muitos simples. Um riff ao fundo, uma letra com uma boa história e um refrão grudento (I'm regrettin' it now/ I'm regrettin' it now/ 'Cause I found me). Pronto, está aí um sucesso para cantar junto. A convidada Sky Ferreira participa de"Always Sad" – uma balada bem inofensiva e bobinha, mas bem eficaz.

A seguinte, "Songs for a Secret", tem a participação de Isobel Campbell e é outra de estrutura bem simples e boa o suficiente para entrar aqui. Mas encantadora mesmo é "The Two of Us" e sua letra espetacular em que fala com muita naturalidade gostar de meninos e meninas, e ainda tem um refrão muito bom (The two of us are getting high/ We don't need drugs 'cause we know how to fly/ The two of us are getting high/ We don't need the drugs, just the two of us/ The two of us are getting high). Jesus and Mary Chain ensinando aos mais jovens como fazer um hit sem esforço.

Outra boa para tocar ao vivo será "Los Feliz (Blues and Greens)", uma boa balada sobre um romance e, ao mesmo tempo, uma crítica aos Estados Unidos. Se "Mood Rider" coloca a melancolia na pauta novamente, "Presidici (Et Chapaquiditch)" cita momentos de John Kennedy na presidência do país em uma faixa um pouco estranha de entender. E as aceleradas "Get on Home" e "Facing Up to the Facts" funcionam bem o suficiente para não deixar o ritmo do registro cair.

Uma faixa que começa com I killed Kurt Cobain/ I put the shot right through his brain chama bastante atenção. É o caso de "Simian Split", que pode assustar um pouco pelo teor da letra, apesar de ter uma boa melodia. "Black and Blues" aparece e é mais uma feita para cantar junto, enquanto "Can't Stop the Rock" é um bom encerramento.

O Jesus and Mary Chain entrega um bom trabalho aqui. Sim, bom. Não é espetacular, apesar de ter seus bons momentos. Suficiente para agradar aos fãs? Sim, porque tem bons hits e o ritmo não cai em nenhum momento, o que é sempre bom para uma banda que estava sem lançar algo novo há quase 20 anos.

Tracklist:

1 - "Amputation"
2 - "War on Peace"
3 - "All Things Pass"
4 - "Always Sad"
5 - "Songs for a Secret"
6 - "The Two of Us"
7 - "Los Feliz (Blues and Greens)"
8 - "Mood Rider"
9 - "Presidici (Et Chapaquiditch)"
10 - "Get on Home"
11 - "Facing Up to the Facts"
12 - "Simian Split"
13 - "Black and Blues"
14 - "Can't Stop the Rock"

Nota: 3/5



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