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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Resenha: Tom Zé – Canções Eróticas de Ninar


Álbum foi lançado recentemente nos serviços de streaming e em formato físico

Com 80 anos recém-completados, Tom Zé tem uma carreira das mais subestimadas no Brasil. Da Tropicália até hoje, sua obra já passou por revisões ao longo dos últimos 50 anos. O resultado é um redescobrimento por parte das novas gerações, que se surpreendem quando escutam alguns dos discos desse baiano de Irará – às vezes, muito à frente de seu tempo. A vontade de produzir mais e mais gerou Canções Eróticas de Ninar, novo álbum do cantor, disponibilizar recentemente em diversos formatos.

O trabalho abre com "Sexo", um samba bem ao estilo de Tom Zé. Ele opta por inserir vários elementos na letra e na melodia, mostrando que as experiências dele com o sexo e a sexualidade estão muito mais além da nossa vã filosofia. Ele trabalha o espanto e constrangimento da maioria das família em falar sobre o assunto em um quase forró "Descaração Familiar", já "Urgência Didática" fala do tratamento que meninos e meninas recebiam ao ter caminhos pré-determinados de acordo com a continuação de certas regras sociais da época.

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As brincadeiras instrumentais "Sobe Ni Mim" e "Orgasmo Terceirizado" são daquelas em que o experimentalismo supera qualquer barreira para formar duas músicas estranhas, mas bem divertidas de ouvir. Se "USP x GV" tem a ótima participação de Vange Milliet para cantar na divertida parte sobre a USP, a romântica "No Tempo em que Ainda Havia Moça Feia" é outra em que é possível dar umas boas risadas durante os pouco mais de três minutos.

Antigamente/ a virgindade/ pesava na validade. O início de "Dedo" mostra como era, e ainda é em determinados lugares, a realidade de algumas moças. Sexo antes do casamento não existia, e essa canção de Tom Zé fala sobre a sexualidade e descobrimento do corpo da mulher por ela própria através dos últimos 50 anos. E "Por Baixo" é mais uma sobre a anatomia da mulher sob uma ótica muito particular e peculiar.

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Em mais uma experimental, "Cadê, Mané?" é daquelas de difícil entendimento, porque só Tom Zé pode entregar uma canção assim na música brasileira. A instrumental "Levada: Sobe Ni Mim" serve para abrir "Um Circo Voador", que trabalha a melodia simples em um jogo de palavras maravilhosamente engraçado, sacana e cheio de segundas intenções vindas dos vocais de apoio – é a melhor do álbum.

Se não é tão genial como os dois últimos álbuns de Tom Zé, Canções Eróticas de Ninar traz um compositor instigante e um cronista do sexo. Do seu modo, ele usa elementos comuns e incomuns na música para apresentar suas canções, tratando de um assunto ainda tabu em muitos lares com naturalidade. É um disco muito interessante do ponto de vista estético, talvez um dos mais curiosos do ano. Tom Zé está mais em forma do que nunca.

Tracklist:

1 - "Sexo"
2 - "Descaração Familiar"
3 - "Urgência Didática"
4 - "Sobe Ni Mim"
5 - "Orgasmo Terceirizado"
6 - "USP x GV"
7 - "No Tempo em que Ainda Havia Moça Feia"
8 - "Dedo"
9 - "Arroz, Lenda e Buquê"
10 - "Por Baixo"
11 - "Cadê, Mané?"
12 - "Levada: Sobe Ni Mim"
13 - "Um Circo Voador"

Nota: 3,5/5



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